16 de setembro, de 2017 | 11:26

A dama do sorriso faz noventa anos

José Edélcio Drumond Alves

É comum as pessoas dizerem que o tempo está passando tão rápido. Isso não é verdade. O tempo não passa. Quem passa somos nós. Serão noventa anos mesmo? Chegamos a duvidar, pois o seu sorriso, a sua amabilidade e outros atributos escondem estas nove décadas vividas e bem vividas.

Em Ipatinga, nos idos de 1954, o curso primário não existia. Naquela época, havia as chamadas Escolas Reunidas, que funcionavam até o terceiro ano, reunindo todos os alunos numa sala só, onde a Dona Maria do Gandu e Dona Loura nos ensinavam, com muito amor e dedicação.

Preocupados com o meu quarto ano, meus pais me levaram para um internato, onde não me adaptei e, além do mais, a escola não era reconhecida pelo governo.

Apertados com a situação, nas férias de julho, minha mãe lutou para encontrar uma saída, e foi bater à porta da diretora do grupo escolar do Paraíso... e lá fui eu.

Pela primeira vez na vida, recebi as BOAS-VINDAS acompanhadas de muito carinho e aquele sorriso que só uma mãe dá quando acolhe um filho.

De imediato, ela mandou chamar a dona Maria Teles, a professora que ia me enfrentar e, ao mesmo tempo, me entregou para ela.

Esse trio reunido me retrata sempre a imagem de três mães, duas entregando o filho e a outra recebendo e todas traduziam o seu amor maternal. Essa imagem, guardo na memória e na alma, de onde nunca saiu.

Certa vez, em pleno júri, já meio perdido na defesa, lembrei-me desta imagem e ela inundou minha mente de inspiração e, assim, pude salvar a causa, pois me transportei ao Evangelho, exaltei o trecho em que Jesus, antes da morte, dirigiu-se à sua mãe e disse: “MÃE, EIS AÍ O TEU FILHO”; e para João, o discípulo amado; “FILHO, EIS AÍ A TUA MÃE”; e, olhando aos Céus, invocou o perdão: “PAI, PERDOA–LHES, PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM”.
A convivência familiar foi sempre o elo que nos uniu e sei que, nos momentos de dor, mesmo sendo uma dor doída, o que demonstra que ela passou, é sempre o florescer de um sorriso.

Brava guerreira em todos os cargos e encargos da vida sempre lutou com uma alma generosa, com uma ação desprendida, com uma competência invejável e muito carinho e amor pelo que faz.

Faz sempre o que acredita, e sempre acredita no que faz. Por isso, vai vencendo os anos da vida e conservando o sorriso que alimenta a sua alma e faz feliz e em paz aqueles que dela recebem esse gesto singelo e verdadeiro.

Este sorriso que se traduz sempre numa mensagem de que vale a pena sorrir, e vale muito mais viver sorrindo.

Neste andar da carruagem, o tempo de sorrir quase dominou toda a sua vida e sobrou pouco tempo para os choros e lagrimas. Até fico pensando que na hora do seu nascimento a parteira, ao tirá-la do seio, deve ter estranhado, pois em vez de sair uma criança chorando, veio uma bela menina sorrindo. PARABÉNS DONA LILÁ!

*Advogado e empresário
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