31 de agosto, de 2017 | 17:29

Internet das coisas: o que falta para uma revolução na era da informação?

Dane Avanzi *

A internet das coisas é a nova tendência da tecnologia da informação, na qual todo dispositivo, literalmente, terá um endereço TCP/IP e será capaz de se comunicar, interagir, tomar decisões e operar em conjunto com outros dispositivos sem fios. Esse verdadeiro bioma cibernético, que está sendo construído hoje em laboratórios, e já encontra alguns representantes no cotidiano, será uma realidade total apenas daqui há alguns anos, tornando cenas de filmes hoje futurísticos pura realidade.

A velocidade em que isso vai ocorrer dependerá da solução de alguns desafios, de ordem bastante prática. Comecemos pelo principal e mais básico deles, a matriz energética. Todo dispositivo eletrônico necessita de energia elétrica para funcionar. Além dos dispositivos, utilizados pelas pessoas é necessária uma grande quantidade de energia elétrica para alimentar muitos servidores, que suportam os serviços em nuvem.

Deste modo, o incremento da demanda por mais energia tende a crescer em progressão geométrica, seja para suportar bilhões de dispositivos interligados por redes wi-fi ou para suportar uma infraestrutura gigantesca de data centers e redes de telecomunicações que também demandarão muita energia. Já vivemos a escassez e o déficit de energia elétrica em muitos países do mundo, sendo tal problema comum a países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Outro gargalo também decorrente de um fator essencialmente ambiental é o fato que todo dispositivo sem fio necessita do espectro radioelétrico para se comunicar, recurso natural escasso, finito e não renovável. Na era da internet das coisas a quantidade de espectro demandada será absurdamente maior que a demanda atual, sendo que hoje, já há problemas de escassez, principalmente nos grandes centros urbanos devido a concentração de pessoas e dispositivos.

Uma coisa é certa: o mundo vai mudar e muito. Hoje já vivemos muitas situações tidas como ficção científica poucas décadas atrás. As transformações hoje em andamento prometem literalmente inaugurar um Admirável Mundo Novo, parafraseando o título de um livro de ficção científica escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932, que narra um futuro onde as pessoas (ou dispositivos) serão organizadas por castas e pré-condicionadas a comportamentos e padrões psicológicos devido à manipulação biológica. Qualquer coincidência com o projeto genoma não é mera coincidência.

Hoje já estão sendo testados carros capazes de se guiarem sozinhos de um lugar para outro. Graças a sensores, softwares, sistemas GPS, evolução de processadores e banco de dados, os carros em breve serão capazes de se autoguiarem. A regra áurea para o desenvolvimento da tecnologia da internet das coisas é a não intervenção humana em nenhum processo aliada ao desenvolvimento da inteligência artificial.

A internet das coisas não parará por aí. Será usada em aviões, bicicletas, eletrodomésticos, literalmente tudo, por isso “internet das coisas”. O tema ainda gerará muita polêmica, embora para alguns seja fascinante, para muitos será a aurora de um amanhã tenebroso e sombrio, devido à desconstrução, assim como ocorre no livro de Huxley, da sociedade atual que engendrará uma nova humanidade sem padrões morais, religiosos e com um sentido ético certamente bem diferente do atual.

Na radiocomunicação, o SDR – Software Defined Radio ou Radio definido por software -, estudado em laboratórios de pesquisas desde 1980, será a solução para o problema de espectro, pois otimizará faixas de frequência ociosa, assim como o aprimoramento das tecnologias verdes de geração de energia elétrica trará a solução para o abastecimento do novo bioma cibernético, ora em estágio embrionário. Há uma nova revolução a caminho.

* Empresário e advogado especialista em telecomunicações
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