29 de agosto, de 2017 | 16:09

Quando a ansiedade vira pânico

Soraya Hissa de Carvalho

Ao todo são mais de 24 milhões de brasileiros que sofrem com algum distúrbio relacionado à ansiedade. E engrossando a estatística do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o padre Fábio de Melo revelou, nos últimos dias, que também sofre de Síndrome do Pânico.

Quando me perguntam qual a principal razão para que essas doenças estejam crescendo e atingindo cada dia mais pessoas, gosto de ressaltar que isso se deve ao aumento da ansiedade patológica da vida moderna, que provoca estados de estresse continuado.

Quanto à Síndrome do Pânico, trata-se de um transtorno de ansiedade que gera ataques de medo intenso. As crises de pânico são caracterizadas como ataques agudos de ansiedade intensa, acompanhados por sintomas somáticos proeminentes: palpitações ou aceleração da frequência cardíaca; suor excessivo e sensação de falta de ar (asfixia). Esses pacientes atribuem seus sintomas a uma doença cardíaca e a maior parte se torna assíduo frequentador de clínicas cardiológicas.

Os portadores de Pânico costumam ter tendência à preocupação excessiva com problemas do cotidiano, têm um bom nível de criatividade, excessiva necessidade de estar no controle da situação, têm expectativas altas, pensamento rígido, são competentes e confiáveis. Essa maneira de ser acaba por predispor a pessoa a situações de estresse acentuado e isso pode levar ao aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro, desencadeando um desequilíbrio bioquímico e consequentemente o aparecimento do pânico. Existe uma perda de autoestima e da autoconfiança, com desmoralização e um quadro de depressão reativa.

A sintomatologia física exuberante e variada explica a procura de outros especialistas em vez de um psiquiatra. Os pacientes com Síndrome do Pânico podem ser portadores de outros quadros emocionais associados a essa doença, principalmente, de quadros ansiosos, somáticos e depressivos. O mais importante e mais difícil problema a ser resolvido em relação ao tratamento é, exatamente, convencer o paciente de que seu problema é emocional e que tem tratamento.

Além da Síndrome do Pânico, a Fobia Específica, Fobia Social, Estresse Pós-Traumático, Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Distúrbio de Ansiedade Generalizada, são outras doenças relacionadas à ansiedade excessiva.

* Médica com especializações em psiquiatria, endocrinologia, geriatria, medicina psicossomática, medicina tradicional chinesa, psicanálise, neurociência e comportamento.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário