26 de agosto, de 2017 | 10:02

Conversa de domingo: E a fila vai andando...

José Edélcio Drummond Alves

Divulgação


Lá se foi o ARCANJO PARA OS ANJOS E QUERUBINS. Quando criança de calças curtas, era o “ALEMÃO”. Poucos sabiam que este não era o seu nome e desconheciam o verdadeiro, que era ARCANJO. O ALEMÃO, assim chamado face à cor da pele branquérrima e dos cabelos loiros que até reluziam com a luz do sol. Ele era o nosso líder para fazer as coisas erradas, tais como roubar goiabas no sitio da dona Maria Silvia, mãe da dona Estael.

Como criança, era “endiabrado” assim como todos nós, que formávamos a turma dos “capetinhas” da Vila. Certo dia nós aprontamos uma que era um pecado mortal, e ele foi dar uma de valentão e de herói e se danou. O pecado foi tão grande que até hoje é impublicável. Mas, de fato, foi ele o mentor e principal autor do pecado, e apenas graças à Dona BIZUCA, não sobrou nada para nós a não ser um aperto danado.

Aí entra nesta história Raimundo Nonato da Farmácia. Este ilustre cidadão, por gratidão ao falecido pai do Alemão (João Valentim Pascoal), era quem ajudava Dona Maria Pascoal a cuidar dos meninos. O tio do Alemão, chamado Pedro Sapateiro, ficou sabendo da travessura e cuidou logo de falar com o Raimundo Nonato, e vejam no que deu: ele desocupou o chiqueiro nos fundos da sua farmácia e lá colocou de castigo o Alemão e outros irmãos dele.

A cancela da pocilga foi amarrada com um frágil barbante, mas nenhum dos enchiqueirados, pelo respeito que tinham ao Raimundo Nonato, desatou o barbante. Lá permaneceram até serem soltos, quando a noitinha chegou.
No dia seguinte, uma porca que fora retirada do chiqueiro pariu sete leitões, e o danado do tio Pedro apelidou o Alemão de “SETE LEITÃO”, dizendo que ele era o pai da leitoada, e divulgou aos sete ventos o novo apelido.

Era alguém gritar “Sete Leitão” e já vinha o PQP, e o Alemão logo partia para a briga. A turma gritava e todos corriam para esconder nas tocas do farto colonião que ali existia.
O Alemão ficava esperando e pegava na briga com o primeiro que saía do esconderijo. Lá das tocas saiam os gritos com o apelido, e durou muito tempo para ele se livrar desta alcunha.

Um dia ele brigou com sua mãe (coisas de criança) e saiu gritando que ia para o mato e ia virar índio. Pela experiência da vida, a mãe não lhe deu ouvidos e lá foi ele virar índio. Quando a noite chegou veio o frio e a escuridão, ele viu que a vida de índio não era nada boa e voltou para casa, pé ante pé, e nunca mais quis virar índio.

Lamento ter que xingar o Alemão, o “Sete Leitão”, e até mesmo o Arcanjo, por ele ter furado a fila, passando na frente de tanta gente e ido para os campos celestiais, mas também falo para todos do meus tempos de infância e juventude que eles podem furar a fila à vontade, pois eu quero mesmo é ficar no último lugar desta fila, aonde os que vão não voltam mais.

Preferi contar os fatos de nossos tempos de criança (tempos estes que não voltam), como forma de dizer que o ARCANJO EVANGELISTA PASCOAL foi um ipatinguense que honrou a família e a nossa terra. E$ deixará saudade...

* Advogado e empresário.
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