18 de agosto, de 2017 | 13:57

Ministra do STJ cobra mais responsabilidade do Judiciário e acredita em novos horizontes

Em palestra na celebração do Mês do Advogado da OAB Ipatinga, Eliana Calmon diz que Justiça deve dar satisfação à sociedade

Divulgação
Eliana Calmon faz uma análise do poder JudiciárioEliana Calmon faz uma análise do poder Judiciário


Com o país mergulhado em escândalos de corrupção, a ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, voltou a cobrar maior responsabilidade do poder Judiciário na condução do futuro do país.

Durante a solenidade de abertura do Mês do Advogado da 72ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Ipatinga), na noite de quinta-feira (17), no auditório da Fadipa, a advogada fez uma análise do “Judiciário dentro dos novos horizontes” e afirmou que a Justiça deve dar uma satisfação à sociedade principalmente com relação à Operação Lava Jato. A palestra magna com a ministra, aberta ao público, lotou o auditório.

“Hoje somos críticos do poder Judiciário, principalmente diante dessas mudanças que vem ocorrendo no país. Não adianta mais falar de problemas. Devemos aprender com o presente e já trabalhar para o futuro, do que vem por ai ou o que nós esperamos que venha. O brasileiro passou a ter mais interesse pelo Direito, já que o Judiciário é o poder que mapeia toda crise política que vivemos e isso desperta o interesse. O Judiciário mudou a partir da Lava Jato".

"Parece que houve um despertar de interesses, com pessoas de cúpulas dos poderes econômicos e políticos sendo presas, mas ninguém trabalhou para, pelo menos, barrar a corrupção no país em 1988, quando foram surgiram os primeiros casos. Compreendo que existam alguns excessos num quadro de tanta diversidade e complexidade, mas vejo o Judiciário se saindo muito bem”, admite Eliana Calmon, que, em um ambiente universitário, cobrou a participação dos jovens profissionais do Direito:

“Creio que uma pessoa como eu, que na minha faixa etária já viveu tanta coisa, não que terá mais tempo de ver esse Brasil diferente, já colhendo os frutos desta crise que estamos vivendo. Porém, os jovens advogados têm a chance de ver essa transformação e fazer parte da nova fase da vida brasileira, de partir para uma real democracia e um interesse republicano maior”.

Independência

Para o advogado Eduardo Figueredo, presidente da OAB Ipatinga, “é necessário defender a independência e a força do Judiciário, que tem recebido importante apoio popular, especialmente após a Operação Lava Jato, para fazer cumprir as Leis, para combater a corrupção e mobilizar ações pela melhoria do Brasil. Somente com um trabalho conjunto de enfrentamento desses desafios poderemos evitar danos irreparáveis à Justiça e ao Estado Democrático de Direito”.

“Apesar de todos os problemas enfrentados pelo Judiciário, como a morosidade, ineficiência, despreparo e falta de empenho de partes dos servidores públicos e também do advogado, reafirmamos nossa confiança no Judiciário e estamos advogando, porque acreditamos na democracia e na ordem jurídica. A aplicação das Leis tem sido aprimorada pela vontade política do próprio Judiciário, enquanto os políticos profissionais não fazem as mudanças legais necessárias”, disse.

Referência

Responsável pela condução da cerimônia de celebração do Mês do Advogado em Ipatinga, a advogada Helena Delamonica, vice-presidente da OAB Minas, destacou a coragem e influência da ministra Eliana Calmon no poder Judiciário.

“Neste momento de crise em que a população cobra transparência de todas as ações dos poderes, inclusive do Judiciário, é bom ouvir as história de Eliana Calmon, uma referência. Trouxemos a Ipatinga uma ilustre mulher, não só pela competência técnica-jurídica, mas principalmente pela grande figura humana que ela representa, no sentido da integridade e da ética e da nobreza de caráter, justamente em um momento que vivemos uma turbulência econômica, social, política e de valores. Com suas palavras, Eliana aquece nossos corações e esperanças”, declarou a vice-presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, do Conselho Federal da OAB.

Participaram ainda da composição da mesa a advogada, presidente da OAB Mulher de Ipatinga e vice-presidente da OAB Ipatinga, Elizabeth Soares; o advogado, diretor Geral da Fadipa e vice-prefeito de Ipatinga, Jesus Nascimento; o advogado e diretor Pedagógico da Fadipa, Jesus Henrique da Silveira e Silva; e a advogada Izabel Braga, vice-presidente da Comissão Estadual da Mulher Advogada e diretora da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas (Abracim-MG).



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Angelita Carmo Gomes

21 de agosto, 2017 | 10:51

“Belas palavras da ex-ministra! Pena que neste nosso país assistimos abismados a politização da justiça em todos os níveis e o pior, acabamos sem saber onde um poder termina e o outro começa! Que a justiça brasileira se faça respeitar em todas as instâncias, inclusive em Ipatinga pela atual administração, onde o diretor da FADIPA é o vice-prefeito!”

Manuel Roberto Souto

18 de agosto, 2017 | 16:25

“Esperamos que ação da classe jurídica, e em especial, os juízes, se preocupem mais em defender os interesses da classe trabalhadora do que em socorrer as instituições, principalmente as prefeituras na atual crise econômica, como tem acontecido. Precisamos de uma Justiça mais humana e menos "política".”

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