08 de agosto, de 2017 | 06:43
Estacionamento Rotativo, uma necessidade; Camelódromo a Céu Aberto, uma realidade.
Edmilsom Firmino de Souza
O caráter deste texto consiste em pontuar a questão do Estacionamento Rotativo (ER), com vistas à mobilidade urbana. O impasse gerado entre o crescimento da demanda e a falta de espaços urbanos obriga o poder público a adotar medidas que viabilizem o acesso da coletividade aos locais de representativo fluxo de pessoas e veículos.No entanto, qualquer que seja a iniciativa de implantação de mecanismos de trânsito, ela deve ser norteada de técnicas de pesquisa, que abrangeram levantamento de dados, observações sistemáticas e entrevistas, objetivando atingir o objetivo principal de identificar e estudar peculiaridades de cada centro de compras. Profissionais das áreas de engenharia de trânsito também devem ser chamados para as novas medidas.
É de reconhecer que o número de motoristas que deseja estacionar é, muitas vezes, superior às vagas disponíveis em qualquer centro comercial. Mas, infelizmente, em Ipatinga, com o mesmo autoritarismo que se instalaram os parquímetros, também os retiraram.
Nos dois momentos, não se preocuparam em realizar estudos técnicos e muitos menos em fazer uma ampla discussão com a sociedade ipatinguense. Usaram-se apenas o poder da canetada nos dois casos. No segundo caso, políticos aproveitaram para se promover nas redes sociais, sepultando, literalmente, o instrumento.
Mas, sem a criação de outras alternativas de estacionamento, o trânsito no Centro Comercial de Ipatinga se desorganizou de vez. Com isto, há quem defenda até a volta dos parquímetros, o que também é questionável, dada à ilegalidade da forma de sua cobrança, sem emissão de recibos, por exemplo.
Antes e a partir da retirada dos parquímetros, ocorre uma das duas opções: as pessoas desistem e vão para estacionamentos pagos, funcionando também de forma totalmente irregular de toda ordem, a começar pelas formas de acesso, sem nenhum sistema de sinalização. Muitos motoristas também param irregularmente, em fila dupla ou até sobre a calçada. Qualquer um desses procedimentos é extremamente prejudicial ao trânsito, pois compromete a fluidez e coloca em risco a segurança dos pedestres.
Ao rodar, rodar, rodar e não achar vagas, o motorista desiste e vai embora, enfraquecendo ainda mais as vendas em tempo de crise e crescimento de vendas pela internet. Para piorar, o consumidor resiste a voltar mais ao Centro Comercial para fazer suas compras, tornando-se um efeito cascata. Lideranças de classe deveriam estar em alerta quanto a isto, antes que seja tarde demais.
Lamentavelmente, também reina a carteirada no trânsito, quando alguns servidores públicos são privilegiados em quase toda totalidade de vagas nos estacionamentos de áreas nas imediações da PMI.
É difícil compreender um Centro Comercial, como o de Ipatinga, sem um ER como instrumento para a mobilidade urbana. Ora, na medida em que as cidades crescem, estudos apontam a necessidade da implantação do ER, já que o espaço para estacionar em vias públicas torna-se bastante limitado, aumentando a demanda por vagas.
E olha que estou falando de uma cidade com cerca de 270 mil habitantes, que dispõe de uma frota de 145 mil veículos, sendo que, destes, 85 mil são automóveis. Sem contar veículos oriundos de outros municípios, uma vez que Ipatinga é a cidade mais influente da região.
Fechar os olhos para este gargalo no trânsito é pura irresponsabilidade dos gestores públicos. Não podemos fugir deste desafio.
Ao implementar o ER, intenciona-se justamente aumentar a oferta de vagas em lugares de grande concentração de atividades profissionais, de serviços e comerciais. Ao limitar o tempo máximo de permanência, o ER é instrumento para melhorar as condições de trânsito. O ER é a forma mais sensata e justa, evitando assim que os mesmos veículos permaneçam o dia todo estacionados no mesmo local, tal como ocorre hoje, principalmente na avenida 28 de Abril.
Camelódromo a Céu Aberto, uma realidade
Por outro lado, é de entender também que a solução de todos os problemas do Centro Comercial de Ipatinga não passa exclusivamente pela solução do ER. A ocupação desordenada (que começa a se alastrar por toda a cidade) de praças públicas, calçadas, ruas e avenidas de camelôs é algo que recomenda coragem para debater. É um outro enorme desafio.
O Poder Público, principalmente, não pode se omitir, sob pena de no futuro bem próximo, o centro se oficializar como um Camelódromo a Céu Aberto, sem regras, sem nenhum conforto. Melhor seria se fosse um Shopping a Céu Aberto com regras claras e uma mobilidade urbana bem definida.
* Pesquisador, autor do Atlas Pensar Vale do Aço.
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