21 de julho, de 2017 | 08:52

Alerta no ar

Luiz Roberto Gravina Pladevall

Divulgação
A evolução tecnológica não tem poupado a população de problemas há muito tempo presentes no nosso cotidiano. A revolução industrial foi prodigiosa em novos métodos de manufatura, mas também contribuiu para aumentar a poluição atmosférica. Infelizmente, ainda convivemos com resquícios desse tempo, que trazem perdas para a saúde das pessoas. Um relato recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que 92% da população global vivem em regiões com níveis de qualidade do ar acima dos limites mínimos estabelecidos pela entidade.

Infelizmente, a poluição atmosférica persiste no país e está nos mesmos patamares de 2010, ano que o Brasil começou a implementar as metas com as quais se comprometeu em 2009, em Copenhague (COP 15). A proposta era cortar as emissões desses gases entre 36,1% a 38,9%. Dados recentes do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, mostram crescimento de 3,5% na emissão de gases do efeito estufa em 2015 em relação a 2014.

O resultado dessa exposição frequente causa aproximadamente três milhões de mortes anuais, sendo 90% desses óbitos registrados em países de baixa e média renda. O documento da OMS afirma ainda que 92% das mortes são provocadas por doenças não comunicáveis como cardiovasculares, derrame, doença obstrutiva pulmonar crônica e câncer do pulmão. O ar poluído afeta, principalmente, populações mais vulneráveis como crianças e idosos, e também aumenta os riscos de infecções respiratórias graves.

Os sistemas de transporte ineficientes, combustível doméstico e queima de resíduos, usinas de energias movidas a carvão e atividades industriais em geral são as principais fontes de poluição apontadas pelo estudo da OMS.

No Brasil, os efeitos da poluição têm como referência pesquisas realizadas sob orientação do professor Paulo Saldiva, do Departamento de Patologia da Universidade de São Paulo (USP). Segundo estudos realizados na cidade de São Paulo, se tivéssemos uma redução de 10% da poluição na capital paulista, poderíamos ter evitado 114 mil mortes por doenças respiratórias e cardiovasculares entre os anos 2000 e 2020.

O município, por exemplo, tem instrumentos que podem reverter esse panorama nos próximos anos. A Lei de Mudanças Climáticas da Cidade de São Paulo, por exemplo, que entrou em vigor em julho de 2009, estabeleceu medidas para reduzir em 30% as emissões de poluentes atmosféricos para os quatro anos consecutivos do início da lei. Infelizmente, muito pouco foi adotado até o momento. Uma das regras da nova legislação previa a troca dos veículos do transporte público movidos a diesel por ônibus com fontes energéticas sustentáveis.

Devemos enfrentar a poluição do ar como um problema grave, especialmente nas regiões metropolitanas do país. As condições atmosféricas são causadoras de graves problemas de saúde. Melhorar a qualidade do ar é investir em prevenção e redução do gasto com tratamento de milhares de brasileiros.

* Presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
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