17 de julho, de 2017 | 09:12
A crise brasileira e a Doutrina Social da Igreja
Tiago Anildo Pereira
A sociedade brasileira passa por uma profunda crise em suas instituições, na vida econômica e no campo político, causada, sobretudo, pela ausência de compromissos éticos.A corrupção, os conchavos espúrios, o fisiologismo, o corporativismo, o jeitinho brasileiro”, são práticas que devem, de uma vez por todas, serem eliminadas da nossa vida social.
Mas, como lembra o Papa Francisco, com o bom-humor que lhe é peculiar, deixemos de lado as lamentações, para nos concentrarmos nas ações. O Santo Padre nos convida a sermos uma doutrina social em movimento”.
Sim, a Igreja Católica possui uma Doutrina Social, que é, nas palavras do Papa Leão XIII, a palavra da Igreja sobre as questões da vida social”.
É que o amor cristão move a denúncia, a proposta e o compromisso no campo social, a uma operosidade concreta e ativa, que impulsione a todos à valorização da pessoa humana e ao bem da humanidade.
Na doutrina social da Igreja, encontramos os princípios de reflexão que nos tornam capazes de interpretar a realidade de hoje e de procurar caminhos apropriados para a ação, os critérios de julgamento e diretrizes de ação donde partir para promover esse humanismo integral e solidário.
A Igreja, com sua doutrina social, propõe a todos os homens um humanismo à altura do desígnio de amor de Deus, um humanismo integral e solidário, capaz de animar uma nova ordem social, econômica e política, fundada na dignidade e na liberdade de toda a pessoa humana, a se realizar na paz, na justiça e na solidariedade (Compêndio de Doutrina Social da Igreja).
É dizer, a Igreja vê na pessoa, e em todos as pessoas, uma incomparável e inalienável dignidade, derivando, daí, os direitos à liberdade, ao valor dos direitos e deveres humanos, aos princípios do bem comum, da destinação universal dos bens, da opção preferencial pelos pobres, direitos de participação na vida social, princípio da solidariedade, a família como célula vital da sociedade, a dignidade do trabalho, o papel do mercado livre, o valor da comunidade, liberdade religiosa, proteção do meio ambiente e promoção da paz.
Enfim, a doutrina social da Igreja é um convite a abandonarmos a cultura do bem-estar”, aquilo que nos leva a pensar em nós mesmos, tornando-nos insensíveis aos gritos dos outros, caindo na globalização da indiferença” (Papa Francisco, viagem a Lampedusa, Itália).
* Procurador do Estado de Minas Gerais. Juiz-Auditor da Câmara Eclesiástica da Diocese de Itabira. Professor na Faculdade de Direito de Ipatinga.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]














