27 de junho, de 2017 | 10:02
Ouvindo melhor e sem preconceito
Isabela Papera
Isto é fato: apenas 40% das pessoas com perda de audição reconhecem que ouvem mal. O preconceito, junto com a falta de informação, faz com que a maioria dos que sofre do problema demore vários anos para tomar uma providência. O que é lamentável, porque a perda auditiva é cumulativa e, se nada for feito, a dificuldade para ouvir será cada vez maior.A realidade é que nas ruas não faltam homens e mulheres de todas as idades usando óculos, mas no caso da deficiência auditiva, persiste uma grande resistência em usar aparelhos nos ouvidos. E por que isso acontece? Porque a maioria desconhece os avanços tecnológicos que permitiram a criação de aparelhos auditivos minúsculos ou até mesmo invisíveis, os intra-auriculares.
Indivíduos com problemas de audição tendem a se isolar do convívio social, podendo até mesmo chegar à depressão. Têm dificuldades de relacionamento em família, no trabalho e entre amigos. O que ocorre é um constrangimento, de ambas as partes, devido a embaraços na comunicação. Falar sobre deficiência auditiva nunca é fácil, porque poucos têm coragem de admitir a surdez. Familiares e amigos podem oferecer um apoio importante.
À medida em que uma pessoa envelhece, as células ciliadas do ouvido interno começam a se degenerar. Alguns perdem a audição mais cedo do que outros. Muitos já começam a sentir o problema quando estão na "faixa" dos 40 anos. Pesquisas revelam que um em cada cinco adultos com mais de 40 anos e mais da metade de todas as pessoas com idade acima de 80 anos sofrem de perda auditiva.
Segundo a Sociedade Brasileira de Otologia, 25 milhões de brasileiros têm dificuldades para ouvir. Além de uma exposição contínua a ruídos seja no trabalho, nas ruas ou em casa , outros fatores podem levar à perda de audição: doenças congênitas ou adquiridas, traumas, uso de medicamentos ototóxicos e idade avançada. No caso dos idosos, o déficit auditivo pode ocorrer por causa de mudanças degenerativas naturais do envelhecimento.
A maioria das pessoas começa a perder a audição quando há um declínio na sua capacidade de ouvir sons de alta frequência (uma conversação contém sons de alta frequência). Assim, o primeiro sinal pode ser a dificuldade de ouvir o que as pessoas dizem para você. Infelizmente, muitas vezes, quando o indivíduo procura tratamento, o caso já está grave. A perda se dá de maneira lenta e progressiva e, com o decorrer dos anos, a deficiência atinge estágios mais avançados.
Ao sentir alguma dificuldade para ouvir, é importante consultar logo um médico otorrinolaringologista que irá avaliar a causa, o tipo e o grau da perda auditiva. A partir do resultado de testes como o de audiometria, será indicado o tratamento mais adequado e, muitas vezes, o uso de prótese auditiva resolve o problema.
Cabe aos fonoaudiólogos indicar qual tipo e modelo de aparelho atenderá as necessidades do deficiente auditivo. O aparelho será então regulado para tornar os sons audíveis para o paciente. Não há demérito algum em usar uma prótese auditiva, que atualmente têm design moderno e tecnologia digital, que não causam constrangimento em quem usa.
Então, por que não usufruir dessa tecnologia e voltar a ouvir com clareza, sentindo-se mais confiante para conversar com os familiares e colegas de trabalho? O aparelho auditivo devolve a autoestima, proporcionando bem-estar, liberdade, alegria e melhor qualidade de vida!
* Fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas; graduada em fonoaudiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, pós-graduada em audiologia e marketing.
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