27 de junho, de 2017 | 09:58
De Portugal e dos imigrantes
Stefan Salej
No dia 10 de junho foi comemorado o Dia de Portugal no mundo inteiro e, em especial, no Brasil, onde as comemorações no Rio e São Paulo foram prestigiadas pelo Presidente e Primeiro Ministro, além de numerosa comitiva daquele país. Em Belo Horizonte, mais de 20 mil pessoas participaram da festa cultural e culinária. E assim foi Brasil afora, uma homenagem não aos descobridores e colonizadores do Brasil, mas aos imigrantes portugueses que vieram ajudar a construir este país chamado Brasil.E Portugal, que no século passado ainda foi uma potência colonial (não nos esquecemos de Goa, na Índia, Macau, na China, e das "províncias ultramarinas" na África, como Moçambique, Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe) e um regime ditatorial aliado ao fascismo europeu, conseguiu, com a Revolução dos Cravos, fazer uma transição para a social democracia, cujo caminho passou até pelo sequestro de navios (Santa Maria) e a tomada do poder pelo Partido Comunista Europeu.
inserção de Portugal na Europa do século 21 não foi fácil e nem rápida, e ainda continua na sua luta para ser um país mais justo e desenvolvido.
Mas isso não impede que os portugueses, nas melhores tradições de seus navegadores, continuamente procurarem exercer seu papel na política internacional. Por iniciativa do então Ministro da Cultura do Brasil, o ilustre Jose Aparecido de Oliveira, foi criada a associação dos países de língua portuguesa, uma organização que hoje atua também fortemente na área política e, em especial, econômica.
s portugueses, com crise ou não, continuam investindo no Brasil com uma ousadia incrível e, ao mesmo tempo, hoje em dia, oferecem facilidades para os brasileiros se instalarem por lá, inclusive com cidadania portuguesa, sonho de muitos deles. Ficaram no passado os episódios da guerra de dentistas, quando, de forma injusta, houve um boicote aos profissionais brasileiros.
A cooperação está hoje em outro nível, inclusive com a cereja no bolo das relações entre os dois países, a inauguração da escola portuguesa em São Paulo juntando-se às escolas americanas, britânicas, italianas, alemãs, francesas e outras.
O Brasil que, nestes dias, de forma pouco percebida, editou a nova lei de migração, é um país de imigrantes. As pessoas que vem são brasileiros que não esquecem suas raízes e cultivam as culturas de origem. Mas lamentavelmente, também somos um país que está perdendo talentos, cérebros e jovens trabalhadores e empreendedores para o exterior.
volatilidade econômica e política, a falta de emprego e de oportunidades, estão levando de forma preocupante os jovens para o exterior. Hoje tem mais gente saindo do Brasil, gente de talento, do que gente chegando ao Brasil. E esta reflexão não deixa de existir nas horas da festa e da alegria portuguesa.
* Consultor empresarial, ex-presidente do Sebrae MG e da Federação das Indústrias de Minas Gerais.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]














