17 de junho, de 2017 | 12:05

Três vergonhas

Recorro ao dicionário e vejo que o termo “crítico” na acepção da palavra, sugere, ou melhor, descreve este profissional como alguém que “estabelece juízo de valor” em diferentes áreas.

No futebol, onde me incluo, deve ser exigente para o bem do próprio esporte, dos clubes, enfim, de todos os atores envolvidos, mas o que se vê aqui no Brasil é exatamente o contrário.

Somos complacentes e damos notas altas, imerecidas, superestimadas, a jogadores, clubes e até aos dirigentes. Não deveria ser assim, pelo menos por quem vivencia o futebol há algumas décadas, ou conhece a sua história. Por isso faço um “mea-culpa”, que deveria ser seguido por quase todos os colegas.

No início do atual Campeonato Brasileiro escrevi, por exemplo, como muitos outros também o fizeram, que Palmeiras(15º, 7 PG), Atlético (16º, 6 PG, Zona de Rebaixamento); e Flamengo( 11º, 10 PG, o melhorzinho, após as sete primeiras rodadas), sobretudo estes três, seriam os favoritos ao título, situando Grêmio, Santos, Cruzeiro e Fluminense correndo por fora na condição de improváveis.

Nada de anormal a previsão de um crítico falhar, e não vou me descabelar por isso, até porque foram disputadas apenas sete rodadas, mas a julgar pelo futebol chinfrim, vergonhoso, apresentado pela nossa trinca de favoritaços, dificilmente vão conseguir mudar este quadro, transformando todo o rosário de elogios recebidos da crítica em bobagens ao vento.

Dura realidade

Jamais imaginei ver figurar no G-6, o grupo que disputa o título e concorre a vagas na Libertadores, alguns dos atuais integrantes como o Coritiba, Chapecoense e Bahia.

Mas, por que isto ocorre? Por que clubes de maior poderio econômico, político, historia mais grandiosa, sediados em centros maiores, perderam espaço neste Brasileiro para outros reconhecidamente menores?

Na minha opinião, - legado ainda do dramático 7 a 1 para a Alemanha na Copa da nossa casa -, há um evidente exagero de avaliação do potencial de nossos clubes, o que só vem comprovar o quanto o nosso futebol é fraco tecnicamente, arbitragens ruins, onde o presidente da entidade máxima não pode viajar ao exterior, sob risco de ser preso acusado de corrupção.

Nossos jogadores com qualidade acima da média nacional, além do único atual craque, Neymar, jogam lá fora, o que explica o sucesso momentâneo da seleção brasileira, que tem o privilégio de contar com todos eles.

Mas aqui dentro a realidade é bem outra, já há algum tempo, pois se os nossos melhores times são estes aí na ponta da tabela, imaginem então como são os piores.

Portanto, críticos em geral, abaixo os delírios, devaneios, abaixo os setoristas baba-ovos de técnicos, jogadores, dirigentes, pois a verdade nua e crua do nosso produto futebol é esta.

• O jovem presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno, tem muitos pontos favoráveis na sua administração, mas agora pisou literalmente no tomate. São muitas as últimas decisões equivocadas, que levaram o clube à atual situação, mas vou citar apenas duas: contratação excessiva de atacantes, algumas injustificáveis como a desse Marlone, esquecendo de reforçar o setor defensivo, que carece de bons reservas para todas as posições. Além disso, resolveu viajar e curtir férias no momento mais inoportuno, em meio à uma grave crise técnica da equipe, que exige a presença do comandante para cobrar atitudes, fazer correções de rumo, a fim de recolocar o trem alvinegro nos trilhos.

• Se existe alguém que conhece o ambiente interno do Atlético é o repórter Roberto Abras, de volta à latinha pela recém-inaugurada “Super Notícia FM(91,7mhz)”, ao lado de outro repórter experiente, Arthur Morais, que cobre o Cruzeiro. O “velho” e bom Abras, do alto de seus 40 anos de janela vivenciando o ambiente alvinegro, percebeu a falta de comando no futebol do clube, e sugeriu o nome do atual secretário de Esportes da Prefeitura de BH, Bebeto de Freitas, para ocupar o cargo, que já exerceu em outra época, vago há cerca de um ano, desde que o saudoso Eduardo Maluf foi diagnosticado e iniciou o tratamento contra um câncer, que o levaria à morte alguns dias atrás.

• Com isso, fez o Prefeito Alexandre Kalil se manifestar oficialmente e dizer que não abre mão de Bebeto na sua administração, obrigando a diretoria alvinegra sair da zona de conforto e anunciar o diretor da base, André Figueiredo, como ocupante de um novo cargo de “superintendente” do futebol. Nada contra, muito pelo contrário, mas por estar chegando agora, Figueiredo não pode, obviamente, fazer cobranças severas ou enérgicas junto aos jogadores e comissão técnica, ou seja, não pode sentar na janela.

• Atleticanos, luzes de emergência e sirenes ligadas, peguem os coletes salva-vidas e todos aos botes, Felipe Santana foi confirmado pelo “professor” Roger Machado e será titular hoje no Morumbi contra o São Paulo.(Fecha o pano!)
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