14 de junho, de 2017 | 11:01
Os investimentos
Stefan Salej
Na semana passada, aconteceu um Fórum de Investimentos em São Paulo, capital econômica do Brasil, com enorme presença de investidores do mundo inteiro. E mais, abençoado por políticos comandados pelo próprio presidente da República e seus ministros, além dos presidentes da Câmara e do Senado e, claro, o governador de São Paulo e o mais novo candidato à presidência do país, o prefeito de São Paulo.Se isso se chama show, então foi um de primeira linha, que, em dois dias, deu razoável impressão sobre o interesse em investir no Brasil. Ou seja, a visão para além do dia de hoje, dias e semanas de tensão política, de um país cujas realidades geográficas e econômicas podem ser vistas além do mar de lama no qual estamos nadando.
Os investidores, ao menos os maiores, tiveram uma conversa particular com o presidente Temer. A pergunta que ficou após o Fórum foi se os políticos e governantes convenceram os investidores de que a crise política na qual estamos mergulhados vai atrapalhar as reformas e quanto tempo vai durar.
Aliás, quanto tempo vai durar o governo que se expôs no Fórum e repetiu a ladainha mais antiga, de que o Brasil é maior do que a crise. A impressão que ficou é que cada um dos participantes se fechou em copas com seu pensamento, esperando que os fatos confirmem ou desmintam os entusiásticos discursos dos ministros e políticos presentes.
O investidor, independentemente da sua origem nacional ou tamanho, espera que a ordem jurídica seja reconhecida, que haja estabilidade de regras para os investimentos e que haja a remuneração para o seu capital. Na semana anterior ao fórum, o BNDES mudou regras de financiamento e mudou o seu presidente. Na semana do Fórum, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro votou uma lei que obriga os bares e restaurantes fluminenses a oferecerem obrigatoriamente cachaça produzida no estado.
Exemplo do trumpismo carioca, obrigando o consumidor a beber cachaça de pior qualidade. E na semana posterior ao Fórum, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais vota, ao mesmo tempo que um Refis, um aumento de impostos para a gasolina e o álcool, a compra de produtos via internet e a isenção de impostos na compra de aeronaves e equipamentos que beneficiem alguns industriais que apoiaram o aumento dos impostos dos outros e mantêm posições institucionais.
Em resumo, o clima de incerteza não é só no nível federal; também nos estados as regras mudam para os investidores. Oferece-se muito no início e tira-se mais depois. E sempre se dá mais para quem vem de fora, desprezando-se quem já está instalado. O Brasil está barato e hora de investir na crise, mas quanto tempo esta crise vai demorar? Também fica cada vez mais patente que o Brasil não aceita mais investimentos tecnologicamente atrasados. Os investimentos têm que representar a ponta de tecnologia e não trazer atraso ao consumidor.
A batida frase, que crise é oportunidade, pode valer para este momento, mas os esforços devem ser menos para promover um Brasil barato, e mais para fazer as mudanças em todos os níveis do governo, para que as empresas possam ser competitivas em escala mundial. Este esforço, e não vamos nos iludir com algumas reformas, deve ir muito além, para trazer investidores que criem mais empregos e empresas mais eficazes.
* Empresário, ex-presidente do Sebrae Minas e da Federação das Indústrias de Estado de Minas Gerais.
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