04 de junho, de 2017 | 19:52

Reforma Previdenciária

Fernando Pinho

As tratativas políticas relativas às propostas de mudanças nas regras previdenciárias mais confundem do que esclarecem a população, de modo geral, pois há um inimaginável número de congressistas e senadores tratando do assunto, e que sabem pouco ou nada do mesmo, dada a pouca familiaridade em interpretar números. Há relatos de políticos muito capacitados em finanças, que afirmam ter presenciado casos de colegas assinando documentos que tratam de assuntos relevantes para o país sem nem mesmo lerem a íntegra dos mesmos.

A baixa qualidade dos debates tem sido um fator de repulsa à ideia, independentemente da necessidade ou não da Reforma. Amadorismo puro e irresponsabilidade. Grupos mais fortes, como sindicatos e associações de funcionários públicos, têm feito pressão para que as regras da Previdência fiquem como estão, mantendo a geração de fortes desequilíbrios nas Contas Públicas e perpetuando injustiças, obrigando o restante da população a continuar financiando indecorosas aposentadorias, em detrimento do conjunto da população.

O cidadão comum pergunta: será que essa reforma é realmente necessária? Quais os benefícios reais dessas mudanças para as gerações atuais e futuras? Ela será suficiente para tornar o sistema autofinanciável? Qual a periodicidade das futuras reformas?

Os últimos estudos sérios elaborados a respeito do assunto contemplam pesquisas com jovens na faixa de 18 a 30 anos e revelam dados interessantes. Um número expressivo de entrevistados manifesta o desejo de trabalhar por conta própria e contribuir o mínimo possível com a Previdência Estatal, enquanto outros vão evitar o pagamento da referida e optarão por Previdência Complementar. Simplesmente não querem confiar os respectivos futuros ao governo, pois não há mais confiança nos políticos.

Há também jovens que, por estarem tendo um padrão educacional de alto nível, em escolas diferenciadas, não querem compromissos em ficar no Brasil e por isso também não têm interesse em vincular-se ao INSS. Afinal, motivos não faltam para viver em países com futuro já delineado.

Há muitas indagações e poucas respostas plausíveis. O momento demanda serenidade na análise do problema, até porque altas autoridades estão seriamente comprometidas moralmente em falcatruas e, a qualquer momento, podem ser retiradas dos respectivos cargos, tornando ainda mais instável a base de apoio político a Temer, duramente conquistada pelo velho sistema do clientelismo político, troca de verbas e cargos por aprovação das reformas, uma prática abjeta que levou o país à situação atual.

Portanto, não há ainda motivos concretos para acreditar que uma possível reforma da Previdência possa tornar-se uma alavanca para o pleno desenvolvimento do Brasil, pois a mesma pode não ocorrer.

Em adição aos elementos complicadores, há a forte possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer, o que pode acarretar a antecipação das eleições marcadas para 2018. Dúvidas não faltam. Portanto, máxima atenção ao noticiário, visando evitar problemas e aproveitar boas oportunidades de negócios que esses episódios proporcionam.

* Economista, palestrante e consultor financeiro da Prospering Consultoria. http://blog.fpinho.com.br.
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