02 de junho, de 2017 | 00:01

Nippon defende investimentos na Usiminas mesmo com o cenário de crise

O diretor também confirma que a NSSMC mantém na Justiça de Minas Gerais, ação e tenta resolver o contencioso com o conglomerado ítalo-argentino Ternium/Techint

Divulgação


O diretor executivo do grupo japonês Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC), Kazuhiro Egawa, que é responsável pelos negócios da empresa nas Américas, inclusive na Usiminas, visitou o Diário do Aço esta semana e posicionou-se a respeito de questões relativas à Usiminas. O executivo estava acompanhado pelo chefe do escritório da NSSMC em Ipatinga, Osamu Nakagawa, e pelo analista Tiago Munden, que traduziu a entrevista para o português.

Segundo o diretor, devido à situação em que se encontra o presidente do Brasil, não é possível prever como que será a economia brasileira daqui para frente, porém, mesmo assim, ele acredita que é preciso continuar investindo na Usiminas para concorrer no mercado com outras empresas.

“Enquanto ocorre essa crise política, os fabricantes de aço não param de concorrer fortemente com a Usiminas. Para competir com eles, temos que ter uma gestão eficaz, temos que aumentar a capacidade produtiva, reduzir os custos e implementar novas tecnologias na Usiminas. E nós temos a capacidade de promover isso. Tanto que a avaliação da Nippon Steal dentro do mercado é muito boa, já a empresa que está em conflito conosco, não tem o mesmo nível de tecnologia”, pontua.

Conflito

O diretor também confirma que a NSSMC mantém na Justiça de Minas Gerais, ação e tenta resolver o contencioso com o conglomerado ítalo-argentino Ternium/Techint, que divide o controle acionário majoritário com o grupo japonês na Usiminas. A disputa já se arrasta desde maio de 2016, quando Rômel Ervin foi destituído, e Sergio Leite foi eleito, por maioria dos votos, para o cargo de presidente. “Nós não buscamos, nem gostamos de briga judicial. Nós não estamos fazendo isso porque gostamos. Porém, como o grupo Techint não tem cumprindo a lei desde 25 de maio de 2016, então nós temos que recorrer à Justiça. Além disso, no dia 27 de abril, quando teve a assembleia geral dos acionistas, eles decidiram abrir um processo por indenização contra o Rômel”, informa.

Alternância de poder

Kazuhiro Egawa reconhece que a solução do conflito com o grupo ítalo-argentino está demorada e a NSSMC mantém a proposta de alternância de poder, entre o presidente da companhia e o presidente do conselho, para que possam pensar juntos para o melhor da Usiminas. “Hoje, a divisão de posse das ações, como controladores da companhia, a Nippon Steel e o grupo Techint estão quase na mesma proporção. Diante dessa parceria igualitária, tem que ter a alternância de poder com diretrizes que mostram até onde o presidente pode fazer certas coisas. Isso sim é o melhor para Usiminas”, ressalta.
Tiajo Araújo
Kazuhiro Egawa afirmou, durante a entrevista, que a Usiminas tem capacidade para voltar a crescer no mercadoKazuhiro Egawa afirmou, durante a entrevista, que a Usiminas tem capacidade para voltar a crescer no mercado


Para o diretor, esse modelo de alternância é comum em outras empresas, porém, o grupo Ternium/Techint já não enxerga dessa maneira, fazendo os japoneses ficarem com certo receio. “O grupo Techint pensa em assumir permanentemente o posto da presidência para que possa, como gestor, conseguir os lucros da empresa para si. Por exemplo, o grupo Techint comprou a CSA. Como estão na liderança da gestão da Usiminas, pode ser que a CSA comece a vender placas para a Usiminas por um valor muito elevado. Então, a Usiminas compra a placa por um preço alto, e o lucro da Usiminas será transferido para a CSA, que passaria esse valor para a Techint da Argentina ou do México”, pontua.

O diretor também afirma que não possui nenhum problema pessoal com a Ternium/Techint, como muitos pensam. “Nós não odiamos o grupo Techint. Só pensamos na empresa e o que vai ser melhor para a Usiminas. É nisso que concentramos. Os argentinos como um todo têm muita gente do bem. Então, creio que, dentro disso também, os próprios executivos argentinos possam ter esse sentimento do bem e passem a trabalhar em prol do outro”, resume.

Demissão

Conforme o executivo, o que é mais valioso em uma empresa é o funcionário, porque é ele que tem o conhecimento tecnológico. Mesmo se o empregado tiver uma idade avançada, ele é ainda é uma peça importante para a empresa, ressalta Kazuhiro Egawa. “Então, não pode ser algo facilmente cortado. Quando você corta uma pessoa experiente, você tem que repor com uma pessoa mais nova e mais barata, porém, para ensiná-la o que a outra sabe, leva tempo e gasta muito dinheiro. Recentemente, vimos que a gerência da auditoria interna foi demitida por não seguir determinadas ordens, sendo que eles estavam trabalhando em prol da Usiminas. Tudo isso causa desconfiança para nós”, explica.

Esporte

Em relação à parceria celebrada com a Liga de Desportos de Ipatinga (LDI), o diretor Kazuhiro Egawa, que é ex-judoca, confessa sua vontade ao apoiar os atletas da cidade, para que possam ter sucesso no esporte. “Quero ver novos jogadores da LDI crescerem e se tornarem profissionais para disputarem a Copa do Mundo. Além disso, também estou com grande expectativa que os judocas que treinam na Usipa possam participar da Olimpíada de Tóquio, em 2020”.

O diretor acrescentou que a NSSMC não investe somente na siderurgia, mas em ações sociais para a comunidade, por entender como essencial que os funcionários sintam-se bem fora da empresa também. “Pensamos em realizar um evento aqui na cidade em homenagem aos 60 anos de parceria entre a Nippon e Ipatinga. Vamos convidar toda a comunidade, só não temos ainda uma previsão de quando irá ocorrer, mas mesmo assim já espero todos marcando presença”, avisa.

Íntegra da resposta da Usiminas

Em relação à matéria “Nippon defende investimentos na Usiminas mesmo com o cenário de crise”, publicada pelo Diário do Aço no dia 2/6, a Usiminas vem respeitosamente prestar alguns esclarecimentos sobre seguinte trecho destacado do texto:

“O grupo Techint pensa em assumir permanentemente o posto da presidência para que possa, como gestor, conseguir os lucros da empresa para si. Por exemplo, o grupo Techint comprou a CSA. Como estão na liderança da gestão da Usiminas, pode ser que a CSA comece a vender placas para a Usiminas por um valor muito elevado. Então, a Usiminas compra a placa por um preço alto, e o lucro da Usiminas será transferido para a CSA, que passaria esse valor para a Techint da Argentina ou do México.”

A Usiminas informa que a decisão sobre os negócios da companhia, inclusive referentes à aquisição de insumos, compete à administração da empresa, formada pelo Conselho de Administração e pela Diretoria, órgãos estatutários que estão sujeitos à fiscalização pelo Conselho Fiscal. Conforme as regras legais e estatutárias aplicáveis, os administradores da Usiminas que possuírem vínculo com a parte relacionada em questão não podem participar de deliberações a respeito de negócios e operações que envolvem ou são de interesse de tal parte relacionada.

Isso significa que, em qualquer operação envolvendo empresas dos grupos acionistas Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation e Ternium/Techint, nenhum conselheiro vinculado a elas pode votar. Além disso, não há submissão ao Acordo de Acionistas, ou seja, a decisão é tomada por meio do voto livre dos conselheiros que não estejam impedidos de votar. Dessa forma, a informação divulgada na referida matéria não procede. A Usiminas reitera que possui um plano de negócios bem definido, que foi elaborado considerando-se o atual cenário econômico e político do Brasil e também do mundo.
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Comentários

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Cristiano de Andrade

02 de junho, 2017 | 13:02

“Boatarde edtou deixando aqui meu comentario ,que fiquei entereçado de me candidatar as vagas de trabalho.”

Miqueias

02 de junho, 2017 | 09:01

“PQP, que casamento desastroso, esse dos japoneses com os argentinos e italianos. Ô povo cabeça dura !!! Essa briga está corroendo o capital social da Usiminas.”

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