28 de maio, de 2017 | 22:20
Ato em Copacabana pede eleições diretas e renúncia de Temer
Embalados com música tocada por nomes como Milton Nascimento e Caetano Veloso, multidão faz protesto pacífico no Rio de Janeiro
Milhares de pessoas ocuparam, neste domingo, a avenida Atlântica, na altura do posto 3, em Copacabana (zona sul do Rio), na tarde deste domingo (28) em protesto contra o presidente Michel Temer (PMDB) e por eleições diretas para ocupar a presidência.Um público estimado pelos organizadores em cerca de 150 mil pessoas participou do ato. O protesto foi convocado por artistas e organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, iniciativas que reúnem centenas de movimentos populares, centrais sindicais e partidos de esquerda”, divulgou a organização.
Ato por convocação de eleições diretas em Copacabana, no Rio de Janeiro / Foto: Movimento Diretas Já"A primeira medida necessária é a saída de Temer", afirmou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AM), que participou do protesto. Para o congressista, há duas formas de isso ocorrer: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer ou a Procuradoria Geral da República denunciar Temer, o que dependeria de autorização do Poder Legislativo. "O mais rápido seria o presidente renunciar, mas não se pode esperar isso dele", afirmou.
Para o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), mesmo se a eleição direta para presidente nesse momento não for instituída, a mobilização popular é importante. "Em 1984 não conseguimos aprovar (a eleição direta), mas o movimento popular acelerou o fim da ditadura e as conquistas da Constituição de 1988."
A programação contou com shows do Cordão do Bola Preta, Maria Gadu, Milton Nascimento e Caetano Veloso, entre outros artistas do mundo da música, cinema e televisão.
O ator Wagner Moura atuou como mestre de cerimônia do evento cultural e político, que reuniu nomes da música brasileira como Criolo, Mano Brown, Mart'nália, Teresa Cristina, assim como parlamentares, líderes de movimentos populares e ex-ministros.
Não é possível que Michel Temer siga sendo presidente. Também não é possível que o próximo presidente seja escolhido por esse Congresso, cúmplice do golpe e que tem 200 deputados investigados. Pode ser legal, mas não é legítimo. Temos direito de votar e queremos eleições diretas. Essa não é uma festa de esquerda, nem de direita, essa é uma festa da democracia”, argumentou Moura.
Imprevisibilidade
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirma ser impossível prever hoje o desfecho da crise política. "Nós exigimos eleições diretas para presidente, mas não dá pra saber qual será a decisão do Congresso. Há uma proposta de emenda constitucional que será votada na próxima quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça. Mas tem outras variáveis: parece que o (deputado federal) Rocha Loures (flagrado recebendo R$ 500 mil) está negociando delação premiada. Então muita coisa pode acontecer", avaliou.
O deputado federal Alessandro Molon (Rede), autor do primeiro pedido de impeachment de Temer após a divulgação da delação dos donos da Friboi, afirmou que a mobilização popular pode convencer os congressistas a aprovar uma emenda constitucional que institua eleições diretas.
A regra prevista na Constituição para substituição do presidente nos dois últimos anos de mandato é por eleição indireta. "Essa não é uma causa de um partido político, de um segmento, essa é a melhor solução para o País". Molon acredita que o TSE vai cassar a chapa Dilma-Temer em 6 de junho. "Mas espero que não haja pedido de vista, que é a vontade de Temer", afirmou.
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