27 de maio, de 2017 | 08:45
Somos um país honesto!
Olavo Machado Júnior
Com orgulho e confiança no futuro, comemoramos em 25 de maio o Dia da Indústria, em um cenário que não é exatamente o que gostaríamos de ter. A crise permanece grave e os acontecimentos dos últimos dias indicam que pode piorar, diante dos escândalos que continuam chegando ao Palácio do Planalto - ou do Jaburu. Felizmente, o industrial é um idealista obstinado, que não desanima nunca, que não esmorece jamais. E que segue adiante, com esperança e fé de que, em breve, com a sociedade unida e consciente, tudo vai mudar para melhor.A indústria mineira é um exemplo e, por isso, aproveitamos a data para homenagear aqueles que a constroem. E sou testemunha que os empresários se esmeram na realização de um trabalho gerador de riquezas e oportunidades para a sociedade. São milhares de empresas de todos os portes, instaladas nos quatro cantos do estado e responsáveis pela geração de milhares de empregos. A Fiemg e seus 138 sindicatos filiados cumprem a missão da representá-las e defender os seus interesses mais legítimos.
Em Minas, no total, somos mais de 500 mil empresas de todos os setores da economia, gerando mais de 4 milhões de empregos. Destas, mais de 64 mil são indústrias que empregam mais de 1,1 milhão de trabalhadores. No Brasil, são quase 4 milhões de empresas - 3.971.108 -, todas responsáveis pela oferta de quase 50 milhões de empregos - 48.060.807. No setor industrial, somos, em todo o país, mais de 500 mil companhias geradoras de quase 10,5 milhões de empregos.
São estas empresas e seus empreendedores, incluindo os industriais, que fazem a economia rodar, que pagam os impostos que financiam todos os programas sociais dos quais os governos se apropriam. Sem elas, não haveria Bolsa-Família, não haveria o SUS, não haveria escolas e hospitais públicos, nem estradas, nem segurança pública.
Pois bem, neste momento, de forma generalizada e absolutamente injusta, estes milhares de empresas e de empreendedores são expostos à execração pública e lançados na vala comum aberta pela Operação Lava-Jato, que, em boa hora, nasceu para investigar a corrupção e punir corruptos, nos setores público e privado. Vida longa e profícua é o que desejamos à Lava-Jato, mas que seus efeitos se limitem a punir aqueles que efetivamente tenham contas a acertar com a Justiça.
Não é justo, nem é correto, "carimbar" milhares de empresas e empresários pelos erros e crimes cometidos por um grupo reduzido de organizações e pessoas que se locupletaram com o assalto cometido contra o erário público. Na verdade, empresas e empresários que trabalham corretamente, com honestidade, também são vítimas da corrupção e dos corruptos, sejam eles empresários ou políticos.
A corrupção e o uso indevido do dinheiro público - sabemos - atuam diretamente contra o bom ambiente de negócios. Servem, ao contrário, para criar concorrência desleal e falsas ilhas de desenvolvimento para os que dessas ações se beneficiam, em meio à recessão e ao desemprego que emperram o país e vitimam milhões de trabalhadores.
Quantas empresas quebraram em razão direta da corrupção que quase destruiu a Petrobras? Dezenas, centenas, milhares, podem ter certeza. Dos 14 milhões de trabalhadores que estão hoje condenados ao desemprego, também podemos ter certeza, grande parte é vítima dessa corrupção desenfreada. As pequenas e micro indústrias instaladas nas regiões mais remotas do país, assim como as mais sofisticadas fábricas localizadas nos centros mais desenvolvidos, também são vítimas da crise ética que asfixia o Brasil e agrava a crise econômica.
O setor industrial brasileiro rejeita e repudia essa generalização odiosa e injusta. E no Dia da Indústria, devemos bater no peito, na altura do coração, e dizer, em alto e bom som, com orgulho, que o Brasil é um país honesto, que os brasileiros são um povo honesto, que os empresários brasileiros são corretos e têm firme compromisso com o país.
Devemos dizer, todos nós, que esperamos celeridade do Judiciário, desde a primeira instância até a Suprema Corte - é inexplicável que processos tramitem por 10, 20, 30 anos e acabem por prescrever, como estamos cansados de ver acontecer.
Devemos dizer que repelimos falsos líderes políticos que transformam o nosso Parlamento em balcões de negócios, em verdadeiras feiras livres onde princípios e valores éticos são sempre oferecidos como pechincha. Devemos dizer, mais uma vez, "basta" e "chega" a autoridades do Executivo que transformam em prioridade absoluta os seus mais subalternos interesses pessoais.
No Dia da Indústria, vamos dizer a todos aqueles que conspiram contra o país que nossa luta será para removê-los da vida pública, utilizando-nos da força da democracia, da nossa voz e do nosso voto.
Com todos os problemas que a nação enfrenta, afirmo que temos, sim, muito orgulho e motivos para comemorarmos a data. Temos motivos para homenagear empresários - de todos os portes por sua garra e pela capacidade de realização que os tornam exemplo e referência para todos os industriais mineiros. Portanto, orgulhemo-nos, todos, de sermos industriais em Minas Gerais e no Brasil.
* Presidente do Sistema FIEMG.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]














