22 de maio, de 2017 | 13:27

Horizonte ampliado: a necessidade de acessibilidade digital para deficientes auditivos

Diego Puerta

Divulgação
A internet é uma fonte de conhecimento, entretenimento, relacionamento e muito mais. Ela realmente expandiu os horizontes para toda a população global, e apesar dos nossos problemas de conexão, o Brasil também está nesse universo expandido que é a globalização digital. Entretanto, há uma grande parcela da população que é privada disso devido a problemas envolvendo a deficiência auditiva.

Atualmente, estima-se que um em cada quatro brasileiros possua algum tipo de deficiência. Quando focamos em apenas uma dessas deficiências, a surdez, podemos arredondar o número para 10 milhões de cidadãos com algum grau de perda auditiva. O que a maioria das pessoas não sabe é que a surdez afeta também a compreensão da língua portuguesa.

O Censo do IBGE de 2010 estimou que 70% dos deficientes auditivos, 7 milhões de brasileiros, não conseguem lidar bem com o nosso idioma, e isso ocorre por diversos motivos. Mas um dos principais é que o português brasileiro é uma língua bastante fonética, e o aprendizado durante a alfabetização está muito ligado aos sons. Portanto, adaptar conteúdo online com legenda não é necessariamente o caminho ideal para a inclusão dessas pessoas.

Apesar da Lei Brasileira de Inclusão ter entrado em vigor em janeiro de 2016, não são todos os sites que são acessíveis ainda. Para esses milhões de brasileiro, o mundo ainda é off-line. Existem algumas iniciativas que buscam essa equidade. A L’Oréal, multinacional de cosméticos e beleza, é uma delas.

O ponto inicial dessa jornada é o projeto do portal Voz da Beleza, concebido para ser a plataforma de SAC do grupo L’Oréal para os consumidores brasileiros, com o foco de entregar a todos os consumidores informações completas sobre os produtos de todas as marcas. A ideia de construir um site acessível passou a fazer sentido. A CRP Mango, empresa especialista em marketing digital, coordenou o projeto e cuidou para que o portal fosse amigável ao público deficiente auditivo, utilizando a ferramenta Hand Talk como base.

A aplicação é um tradutor automático de texto em Libras, a linguagem brasileira de sinais. O portal nasceu com essa iniciativa, visando não só cumprir a lei, mas também incluir aqueles que muitas vezes eram excluídos. Em pouco tempo, a solução passou a ser aplicada para todos os sites brasileiros do grupo. A iniciativa foi tão bem recebida que acabou reconhecida pela matriz, chegando a ser destaque em publicações da imprensa francesa.

Meses depois, 97% das páginas da empresa já estão adaptadas, incluindo o e-commerce. A iniciativa foi a primeira do gênero, e foi apresentada ao grupo em outubro, durante a edição 2016 dos Troféus para Iniciativas de Incapacidade. Além da tradução para Libras, muitos sites da marca já são compatíveis com ferramentas para deficientes visuais, além de serem parcialmente navegados com o teclado.

Muitas outras marcas já estão correndo atrás de realizar esse processo, não só por demanda legal, mas por que vivemos em uma época de inclusão, onde problemas e erros passados são observados, corrigidos, e o que se busca é mais bem estar social aliado à tecnologia. Esse caso foi apenas um exemplo.

Vivemos em uma era digital, mas não para todos. A acessibilidade é essencial para que se guie o futuro da sociedade para um local onde mais vozes sejam ouvidas. O século XXI é o tempo do crescimento através da cooperação, da observância da moral e do bem estar. Com a dignidade humana respeitada, mais se multiplica o acesso ao conhecimento, mais ele se espalha e maior é o progresso. A acessibilidade não é só para incluir, é para ampliar.

* Formado em Sistemas de Informação, especialista em marketing digital e diretor da CRP Mango: http://crpmango.com.br / [email protected].
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário