05 de maio, de 2017 | 08:38
Sobre a Greve Geral
Kleber William de Souza
Como todo artigo é opinativo, e o Caderno de Opinião do Jornal é de reponsabilidade do autor, eu particularmente, e o movimento sindical do Vale do Aço, classificamos como equivocada a visão do Sr. Sérgio Orlando Pires de Carvalho acerca da Greve Geral do dia 28 de abril de 2017.
Respeitamos a opinião, até mesmo porque sabemos qual o grau de intencionalidade que há em artigos que tentam demonstrar a ilegalidade de atos legítimos feitos pela classe operária. Foi assim ao longo da existência da classe trabalhadora.
Inegável que o dia 28 de abril de 2017 foi uma movimentação de dimensão nunca vista, que tomou todo o território nacional, com centenas de categorias que cruzaram os braços nos 26 estados e no Distrito Federal, dispostas a barrar as reformas de Michel Temer.
Sabemos que para alguns, tratou-se de um dia nacional de paralisação. Para outros, de uma greve geral, expressão mais popular e que no Brasil está completando 100 anos neste 2017.
O primeiro movimento ocorreu em São Paulo, em meados de 1917, em um período de forte influência anarquista, mas também com participação dos socialistas. Era o início da organização operária no país. Época também marcante do início da mobilização social que daria suporte ao fim da chamada República Velha, no começo dos anos 1930, que ainda veria surgir, em 1937, o Estado Novo de Getúlio Vargas. Em 1943, viria a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), hoje objeto de "reformas" por parte do governo Temer, outro dos motivos da paralisação do dia 28.
Depois da histórica greve de 1917, que durou três dias e paralisou a capital paulista, alguns movimentos foram registrados, por exemplo, nos anos 1950 quando se consolidava um período de industrialização e de organização sindical no Brasil. Também durante e após a ditadura, na década de 1980, quando se cunhou o bordão "a greve geral derruba o general", referência ao período autoritário.
Em 1989 houve uma greve convocada para 14 e 15 de março pela CUT e pela CGT, únicas centrais existentes na época. A inflação havia fechado o ano anterior perto de 1.000%. Era o Plano Verão de Maílson da Nóbrega, o mesmo que hoje dá aulas de como sair da crise, mas a pauta incluía assuntos como reforma agrária e não pagamento da dívida externa.
O movimento atingiu todo o país, em alguns locais com mais intensidade. Os ônibus não circularam em São Paulo, por exemplo. O número de usuários caiu aproximadamente 40% no Metrô. As centrais estimaram a adesão em 70% no país. Entidades patronais, como Fiesp e Febraban, afirmaram que a adesão na capital paulista não passou de 30%.
Logo após a greve, a então ministra do Trabalho, Dorothea Werneck, afirmou que o governo discutiria com trabalhadores e empresários um novo cálculo de reposição de perdas salariais, mas disse que a medida já havia sido decidida antes de paralisação.
Como se vê, não há que se falar de ilegalidade da greve, e não tem como desconhecer a história escrita pelas próprias mãos da classe trabalhadora brasileira.
Na verdade, o que o autor do artigo tentou foi desqualificar o movimento grevista, que realmente é um movimento de participação política, e não um movimento político como tentou o autor, dando uma conotação de que o maior objetivo das centrais foi uma reposta às propostas de fim do imposto sindical.
Desqualificar nossas bandeiras de lutas contra a Reforma da Previdência, Trabalhista e contra a Terceirização, é, no mínimo, uma postura de quem aposta no entreguismo das nossas riquezas ao capital estrangeiro, e garantir aos trabalhadores condições precárias de trabalho, nos remetendo ao trabalho escravo onde direitos essenciais à vida são colocados em segundo plano.
* Assessor Sindical de Formação e Comunicação, Dirigente Sindical Cutista, Jornalista Profissional Mtb 14.707, Jornalista do Núcleo Piratininga de Comunicação do Rio de Janeiro/RJ, Especialista em Comunicação e Marketing pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais - Unileste/MG, Especialista em Políticas Públicas pela Universidade Federal de Viçosa/MG.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















