03 de maio, de 2017 | 10:06

CUT e a hora do adeus

Gabriel Rossi

Divulgação
“Sindicatos brasileiros são como paquidermes entardecidos - pesados e ultrapassados...”

O fim da contribuição sindical vai resultar no extermínio da montanha de sindicatos que há hoje no Brasil. Com o término dessas taxas impositivas, outras e novas lideranças, relevantes, atuais, para realmente defenderem a classe e não os próprios interesses, irão aparecer e esse será apenas um dos benefícios.

A forma com que era estruturada a questão, até mesmo com a ligação de boa parte a partidos políticos, impacta de forma negativa lideranças jovens e idealistas. Infelizmente, com o tempo, essas entidades de classe ficaram estagnadas e, aos poucos, foram perdendo o seu real propósito.

O trabalhador acaba se tornando um penduricalho desnecessário, porque acaba olhando somente para si e não para as necessidades do empregado e para o mercado ao qual ele pertence. Olham para os espelhos quando deveriam se preocupar com as janelas.

Além desses fatores, é possível notar que há uma grande demagogia não só dos sindicatos. Muitos advogados trabalhistas defendem a CLT, que data de 1940, mas pouco se fala que essas leis não atendem a nova dimensão que o trabalho tomou.

Essas normas são empecilhos para que o colaborador possa negociar suas horas trabalhadas, e, em contrapartida, aprisionam o empreendedor. Não é à toa que o Brasil tem índices baixíssimos de empreendedorismo, afetando a taxa de emprego e o crescimento do país como um todo.

A defesa cega e ultrapassada da CLT limita o crescimento. Quer uma prova? Afinal, do que se tratou a mobilização da última sexta-feira? Apenas para reivindicar a manutenção do imposto sindical.

A luta contra as supostas reformas foi apenas cortina de fumaça. Em tempo: o país possui o maior, e mais vergonhosa quantidade de sindicatos, que se valeram da reforma trabalhista para militar a favor do imposto.

Vale lembrar que o sindicalismo possui a sua importância no panorama de uma democracia saudável, e não importa o direcionamento ideológico com a conjuntura do momento. Mas, do jeito que está, com conceitos confusos de “justiça social”, mais atrapalha do que ajuda o país.

Outro ponto pouco abordado: temos que acabar com o sindicato único por categoria. Isso é uma excrecência democrática contemporânea. Tenho a certeza de que tanto o fim da reforma trabalhista como o imposto sindical são as melhores coisas que podem acontecer para o trabalhador brasileiro.

Pelo ponto de vista do marketing e gerenciamento de imagem, essa greve foi um verdadeiro tiro no pé, porque prejudicou o trabalhador mais pobre, aquele que ainda atua na informalidade.

Afinal, ele não tem os muitos benefícios daqueles que estavam na rua protestando, sem contar o vandalismo. Cada vez mais a CUT e similares se distanciam da realidade porque almejam uma imposição na marra, o que não acontece.

* Professor da ESPM, palestrante em marketing, estrategista especializado na construção e no gerenciamento de marcas e reputação e diretor-fundador da Gabriel Rossi Consultoria.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Diego

04 de maio, 2017 | 20:20

“O colunista reduz os protestos da última sexta-feira à questão do imposto sindical. Não seria o caso de se inteirar da magnitude das propostas governistas? Certo que uma futura legislatura poderá transtorná-las como bem entender, mas o impacto permanece.”

Envie seu Comentário