02 de maio, de 2017 | 09:51

Breve depoimento de um aluno

Leonardo Oliveira Soares

28 de abril de 2017.
Pela manhã, manifestações de protesto já se espalhavam por todo o país.

Filho de comunista convicto, daqueles que ainda acreditam na transformação da sociedade pela luta de classes, acordei cedo e preparei a aula que haveria de ministrar no primeiro horário para a turma do 3º período, turno matutino, do curso de Direito da Fadipa. Aula de Introdução ao Estudo do Processo. Mais precisamente, aula sobre os institutos ação e processo.

Após lançar tópicos no quadro, fui questionado por uma aluna: “Mas, e a passagem para reflexão”? Não raro, procuro, por assim dizer, convidar a turma a refletir sobre os mais variados assuntos, a partir de algum pensamento jurídico ou não. Um aluno, então, prontificou-se a ler um poema que acabara de escrever. No texto, denunciava a passividade com que assistimos, todos nós, à deterioração da comunidade cujos membros, em grande escala, encontram-se centrados em si mesmos.

Confesso que, lá no fundo, sentia-me um tanto quanto constrangido por estar ali, diante do conturbado contexto social e político que vivemos, para tratar de temas estritamente técnicos, afetos à transnacional garantia devido a um processo legal.

Leitura feita, alguns colegas pediram esclarecimentos.

Sem saber, forneciam eles saída para meu, digamos assim, constrangimento, àquela altura revelado à turma. Convidei o autor da poesia para explicá-la. Como se fosse possível explicar um poema! Após sua fala, muitas outras manifestações vieram à tona. Depoimentos comoventes de situações de injustiça, miséria, indiferença. Uma profusão de desabafos, mesclados com palavras de otimismo.

Afinal, sempre carregamos, bem lá no fundo do peito, experiências partilháveis. O difícil, em tempos “de globalização econômica”, de “mercantilização dos sentimentos e da vida”, é encontrar espaços e pessoas com as quais possamos, verdadeiramente, compartilhar nossas alegrias e tristezas.

Como se a exata medida do ser humano não residisse, antes de tudo, naquilo que se leva no coração!
Ninguém percebeu que a aula chegava ao fim.
Restou-me agradecer. Relatei um tantinho de minha experiência e de minha origem.

Sem encontrar mais palavras, ofereci um sorriso.
Sorriso franco, daquele que acabara de participar, na condição de aluno, da aula de DIREITO mais importante de sua vida acadêmica.

E, sim!
O país há de melhorar!
Comecemos, já, por nós mesmos.
Com efeito, “o que importa é ouvir a voz que vem do coração”!

* Professor da Faculdade de Direito de Ipatinga.
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Comentários

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Osmane da Cunha André Neto.

03 de maio, 2017 | 11:25

“Nos sentimos lisonjeados pelas belas palavras professor Leonardo, e mais ainda por podermos partilhar de momentos tão ímpares!
Eu, particularmente, sinto há muito tempo que devo fazer algo de mais efetivo em prol do bem comum. Suas palavras me motivaram ainda mais. Forte abraço.”

Marcilei Fazollo

02 de maio, 2017 | 20:19

“Agradecimento ao mestre Leonardo por nos permitir viver este emocionante momento. Momento este que levaremos por toda nossa vida, agradecer pela paciência, pela partilha de conhecimento, pelos ensinamentos para a vida.
Aos amigos da Turma 302 por compartilhar experiências .
Sou grata e honrada pelos professores que tive e tenho, pelos ensinamentos que colhi e pela certeza da contribuição árdua desses profissionais para mudanças significativas e cumprimento da frase tatuada na nossa bandeira: Ordem e Progresso.”

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