01 de maio, de 2017 | 10:40

A Grande Medalha da Inconfidência

Stefan Salej

Divulgação
Os feriados de Páscoa estendem-se em abril até dia 21, quando o Brasil inteiro comemora a Inconfidência Mineira, relembrando o herói nacional Tiradentes, ou Joaquim José da Silva Xavier, dentista que se rebelou, junto com outros inconfidentes mineiros, na capital da província rica em diamantes, ouro e outros metais, Ouro Preto, contra a colonização e a opressão portuguesa.

E o castigo dos portugueses, que nós tanto amamos nos dias de hoje, foi dos mais cruéis da nossa história: esquartejamento. Ou seja, os portugueses nas terras brasileiras não vieram para serem amáveis ou conciliadores, vieram mesmo para tirar o que podiam, sem dó ou piedade. Dizem os historiadores que a revolta começou com o exagero na cobrança de impostos pelos portugueses. Aliás, algo que acontecia também naquela época nas colônias dos hoje Estados Unidos: o Rei George III da Inglaterra resolveu cobrar mais impostos do que a colônia podia pagar.

A festa da Inconfidência em Ouro Preto - todo ano - tem mais e mais aspectos de política do dia do que reverência à nossa história. E, além do mais, dá a oportunidade ao Governador de Minas de distribuir medalhas e homenagens que, para os que as merecem, dão a satisfação da recompensa e, para os que não as merecem e ganham assim mesmo, dão a satisfação de que passaram no teste da aceitação pública e política. A Medalha de Minas sempre é uma honraria.

Mas na festa mais recente lá realizada faltou, e falta há anos, a grande homenagem e a Grande Medalha da Inconfidência (a maior honraria) ao cidadão contribuinte. No país que a tem maior carga tributária do mundo e os maiores juros, devemos lembrar dos Inconfidentes.

Naquela época, os exploradores sanguessugas eram os colonizadores portugueses. E agora, numa situação fiscal impossível para o cidadão (nos dias que entregamos as declarações de imposto de renda lembramos da defasagem em 80% dos valores que a receita reconhece em relação ao valor atual da moeda) e para as empresas, somos explorados pelos sanguessugas incompetentes que são os nossos políticos e seus gestores públicos.

E se adicionarmos a isso os escândalos de corrupção - a Lava Jato é só o mais visível deles, mas há muito mais -, então o custo de gestão de nosso país e suas unidades federativas e municípios é algo absolutamente inaceitável.

E não é só inaceitável do ponto de vista político, mas também do ponto de vista econômico. Não se pode ter nem justiça social, nem igualdade, nem competitividade com o sistema fiscal que temos. E ninguém fala em reforma fiscal. Ninguém! A reforma da previdência do setor privado, sem reformar a do setor público e sem atingir os estados e municípios, é pimenta nos olhos do trabalhador.

E se ela não for acompanhada pela reforma fiscal, aliás, prometida há vinte anos, quando os empresários mineiros, sob liderança da FIEMG, foram para a rua junto com o então Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, nada de fato muda neste país! Tudo será só ajeitamento circunstancial para favorecer um estado ineficaz, que empurra toda a sociedade para o abismo da ineficiência, pobreza e desemprego.

Portanto, Excelência, Cidadão Contribuinte, a medalha que os Inconfidentes cunharam com sua fé em um Brasil justo, com seu sangue e suas vidas, é, antes de mais nada, sua.

* Empresário, ex-presidente do Sebrae Minas e da Federação das Indústrias de Minas Gerais.
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