27 de março, de 2017 | 11:56

Indústria alimentícia deve se adaptar ao novo perfil de consumidores

Lilia Kawazoe

Divulgação
Nos últimos anos, acompanhamos uma mudança significativa no comportamento da população quando o assunto é o consumo de alimentos. Além do sabor, as pessoas de hoje também estão preocupadas com as questões relacionadas à saudabilidade daquilo que consomem. Em outras palavras, quais benefícios eles podem proporcionar à saúde e ao bem-estar?

Uma pesquisa recente da Euromonitor aponta que a venda de alimentos naturais e orgânicos cresceu 98% nos últimos cinco anos, enquanto a demanda por opções tradicionais cresceu 67% no mesmo período. O estudo mostra ainda que 28% dos brasileiros consideram que o valor nutricional é o mais importante na hora de consumir um produto e 22% das pessoas ouvidas disseram preferir alimentos naturais, sem conservantes.

Diante desses números, notamos o desafio que a indústria de alimentos tem pela frente, que é investir cada vez mais em harmonizações saudáveis e naturais, transformando receitas tradicionais em opções ricas em vitaminas, ômegas, fibras e proteínas. Esse trabalho envolve pesquisas constantes para o desenvolvimento de novos ingredientes tecnológicos e a busca pela inovação.

Ao buscarmos exemplos práticos desse trabalho na indústria alimentícia, encontramos as farinhas e óleos obtidos a partir de frutos e sementes da biodiversidade brasileira, como o açaí, cupuaçu e castanha do Brasil. A proposta desses ingredientes é que eles sejam acrescentados a receitas tradicionais do dia a dia, como pães, bolos, cookies, molhos e maioneses, tornando o alimento uma opção de alto valor nutritivo.

Outro ponto que não devemos esquecer é a questão dos alimentos orgânicos, pois um estudo feito pela Nielsen mostrou que 33% dos consumidores preferem alimentos orgânicos e pagariam mais caro por isso. Nesse sentido, estamos indo muito além do consumo de um alimento saudável, falamos de produtos comprometidos com a questão da sustentabilidade. O consumidor está preocupado em saber se o alimento que ele vai consumir foi obtido a partir de um processo que engloba o respeito ao meio ambiente e aos envolvidos na cadeia produtiva.

Toda essa evolução do mercado alimentício nos leva a destacar também o segmento de produtos direcionados às pessoas com dietas restritivas. Isso porque, nos últimos anos, as empresas passaram a investir nesse nicho com o grande desafio de oferecer alimentos que supram as necessidades das pessoas alérgicas ou com intolerância alimentar. Para isso, a indústria de matérias-primas para alimentos está focada também na customização de serviços e desenvolvimento de insumos tecnológicos exclusivos.

Esse cenário nos mostra que a indústria de alimentos passa por um processo de transformação, o que envolve a mudança no comportamento do consumidor e a adequação das marcas a esse novo momento do mercado. O resultado decerto trará benefícios a todos, e os alimentos saudáveis e funcionais vão se tornar parte essencial do nosso cardápio diário.

* Gerente Comercial da Concepta Ingredients, do Grupo Sabará, que cria soluções naturais e tecnológicas com foco nas indústrias de alimentos, bebidas, nutrição animal e farmacêutica veterinária.
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