11 de março, de 2017 | 08:25

O fechamento da FNAC

Stefan Salej

Divulgação
O fechamento de 12 lojas da francesa FNAC no Brasil, consagrada cadeia de eletrônicos e livros, caiu para incautos como um raio durante tempestades de verão. E a notícia que se propagou foi que o Brasil não é um país onde uma empresa tão consagrada, com quase 25 bilhões de reais de faturamento no mundo, possa sobreviver.

Nas redes sociais e debates nos botequins da elite econômica, a notícia foi mais comentada do que a quebra da Sette Brasil, fabricante de sondas para perfuração de petróleo, que deu um prejuízo trilionário aos cofres já vazios do Estado brasileiro. Ou a da OI, companhia de telecomunicações, cuja quebra passou de 40 bilhões de reais. Ou a do setor elétrico, cujos números mudam todo dia e também passam de bilhões e bilhões.

Coitado do Brasil e dos brasileiros que não conseguem segurar uma FNAC, desde o ano passado associada a outro gigante de eletrodomésticos e eletrônicos franceses, a Darty. A FNAC, fundada em 1954 na França, como uma espécie de cooperativa para vendas aos executivos, tinha um modelo de negócio que atraia o comprador. E ele incluía como a sua base funcionários especializados, bem treinados, que atendiam bem às necessidades, desejos e sonhos dos clientes.

Além de seus preços atrativos. Mas o mundo mudou, apareceu a Amazon, o comércio eletrônico, os livros eletrônicos, streaming na música e o cliente também mudou. A FNAC entrou numa crise que durou anos, durante os quais abriu filiais no Brasil, até que, depois de uma longa batalha de negócios, conseguiu se juntar com a Ricardo Eletro francesa, a Darty. As duas empresas já deram lucro e avançaram em vendas.

O Brasil ilude muito a empresa estrangeira. Tem um potencial enorme de mercado, mas concorrência feroz de empresas do mundo inteiro. E os impostos e a legislação trabalhista são complexos e altos. E às vezes os modelos de negócios que dão muito certo em outros países não dão certo aqui. A FNAC mudou e se adaptou na França, mas parece que a adaptação no Brasil não seguiu o mesmo ritmo.

mesmo aconteceu com a gigante de energia francesa EDF quando comprou a Light, no Rio de Janeiro e saiu do mercado. Ou então com a rede francesa de hotéis Accor, que acaba, ao contrário da FNAC, de anunciar que ampliou suas atividades no Brasil, incorporando mais 28 hotéis à sua rede de mais de 200.

Mas, para a nossa alegria, continuam no mercado a Leitura, genuinamente mineira, a Cultura e a Saraiva, em São Paulo, sempre melhores, a Livraria da Vila, e, apesar do lamentável desaparecimento da Livraria da Vinci, no Rio, continua sempre o sucesso de Cia. das Letras e outras editoras. Nem tudo acabou com a FNAC.

Empresário, ex-presidente do Sebrae Minas e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
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