27 de dezembro, de 2016 | 16:43
Impasse entre sócios da Usiminas vai para 2017
No começo da semana, fontes ligadas à Nippon confirmaram que a companhia tem buscado uma solução para os desafios enfrentados pela siderúrgica
Acabou sem acordo uma proposta da Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC) à sua sócia na Usiminas, Ternium/Techint, para a alternância de nomes nos cargos de presidente-executivo (CEO) e de presidente do conselho de administração (chairman) da Usiminas.
No começo da semana, fontes ligadas à Nippon confirmaram que a companhia tem buscado uma solução para os desafios enfrentados pela Usiminas e propôs à sócia, Ternium, um mecanismo de alternância de poder com regras claras. Nesse mecanismo, explica a fonte ao Diário do Aço, a Nippon aceita que Sérgio Leite seja o primeiro CEO da companhia, e Romel Erwin de Souza o primeiro presidente do Conselho de Administração. "A NSSMC ainda considera Romel o mais capacitado para ser CEO da Usiminas, mas está disposta a fazer essa concessão. A Ternium, no entanto, rejeitou a proposta", afirma a fonte.
Com isso, o imbróglio na governança corporativa da Usiminas vai entrar 2017 da mesma forma como está, desde setembro de 2014, quando houve a destituição do CEO indicado pela Ternium, Julian Eguren, pelos integrantes do conselho de administração, com apoio da sócia japonesa.
A Ternium mantém sua posição de sempre indicar o presidente-executivo da empresa, como fez em janeiro de 2012, logo após entrar no bloco de controle da Usiminas. Na época, o presidente do conselho foi indicado pela Nippon Steel.
Os japoneses da Nippon Steel detêm 31,1% do capital votante da Usiminas e o grupo Ternium-Techint, outros 39,6%.
Tribunal
Em assembleia, em 25 de maio de 2016, Sérgio Leite foi indicado por três dos seis votos na eleição dos acionistas em maio. Ficou no cargo menos de cinco meses e foi afastado em outubro por decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que reconheceu os argumentos da Nippon, segundo os quais houve ilegalidade no processo da eleição de Leite. A Ternium anunciou que irá recorrer. No começo de dezembro, fez uma representação sobre o caso na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Romel Ervin de Souza, que ficou interinamente na presidência de setembro de 2014 a maio de 2016, após o afastamento de Eguren, foi reconduzido ao cargo em outubro. Leite voltou às suas funções de vice-presidente comercial da Usiminas.
A Ternium também chegou a propor uma "cláusula de saída", com previsão de um mecanismo de oferta de compra da participação de uma das partes. O acordo, se aceito, permitiria que tanto uma quanto outra parte do bloco de controle de acionistas, poderia comprar uma das partes. O grupo japonês, que investe na Usiminas há 60 anos, não teria intenção de sair da empresa.
A alegação da Ternium é que, fixar alternância do CEO a cada dois anos é uma medida insustentável, que compromete a gestão da companhia e a visão de longo prazo”. Como alternativa, o grupo ítalo argentino aponta a inclusão de uma cláusula de resolução de conflito no acordo de acionistas, em vigor desde 2013, que permita a saída de um dos sócios controladores em caso de divergências na estratégia de negócio.
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