Rotas Verdes percorre a BR-319 e chega a Manaus

Documentarista enfrenta o desafio de passar por rodovia intransitável

Fernando Lara


Mutum - BR 319 - Fernando Lara site


MANAUS - O documentarista de natureza, Fernando Lara, acaba de concluir mais um desafio da Expedição Documental Rotas Verdes Brasil: atravessar a BR 319.


A rodovia que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) é considerada intransitável desde 1988. Dos 877 quilômetros, em cerca de 600 quilômetros não há postos de combustível, o asfalto é quase inexistente e há poucos moradores. “Foi um desafio onde enfrentei o mais puro isolamento”.


Fernando Lara demorou três dias para percorrer o pior trecho da rodovia, onde não há circulação de veículos e nem mesmo os amazonenses e rondonienses gostam de enfrentar o trajeto. Segundo o ipatinguense, durante todo o percurso os únicos veículos encontrados foram os de um grupo de jipeiros e motocicletas de outro grupo aventureiro.

 


Fernando Lara


casa
A perigosa BR-319 é o único acesso por via terrestre entre os estados do Centro-Sul e Manaus. Fora isso, chegar à capital do Amazonas só é possível de avião ou de barco.


A rodovia começa em Porto Velho, depois da travessia pelo rio Madeira e segue para Humaitá, já em território amazonense. Nesse percurso, a estrada está em perfeito estado, mas não há postos de gasolina. No local, Fernando Lara preparou 25 litros de combustível reserva, abasteceu a bagagem com alimentos e levou também outro pneu com câmara de ar.


A travessia pelos mais de 600km da BR-319 começou no dia 1º de setembro. A previsão era de chuva e uma tempestade havia atingindo Humaitá. Fernando Lara relata que seguiu em direção ao último lugarejo da BR-319: a comunidade Realidade. O próximo aglomerado populacional só seria encontrado dali a 500km. “Há uma casa aqui, outra ali. Fiquei impressionando como as pessoas conseguem resistir a tanto isolamento”, afirma o documentarista.


Depois de Realidade, 100 quilômetros depois, o destino foi a casa dos ‘Catarinos’, como é chamada uma família de catarinenses que mora às margens da BR-319, onde o documentarista fez o pernoite, acampado no meio da Floresta Amazônica.


Fernando Lara


Caminhão do Exército - Fernando Lara site
De acordo com Fernando Lara, o segundo dia foi o mais difícil. O documentarista de natureza percorreu 265 quilômetros em que foram necessárias 10 horas. “Depois dos Catarinos não há mais nada. Tudo que eu ouvia eram os sons que viam da floresta”, retrata.


Além da estrada em péssimo estado, as pontes também são ruins. São 125 no total por toda a rodovia. “As vezes é preciso parar para ver se a ponte aguenta o peso da motocicleta e com os equipamentos. Não é raro encontrar veículos que caíram nos rios por causa da precariedade das pontes, como um caminhão do Exército Brasileiro que encontrei”, informa o documentarista.


Fernando Lara fez o segundo pernoite na comunidade do Igapó-Açu, às margens de um rio de mesmo nome, mais precisamente na pousada simples da Dona Mocinha, acostumada a receber aventureiros. Pela frente, ainda havia 100km de estrada, até Careiro, a primeira cidade depois de Humaitá, já bem próxima a Manaus. A chegada foi à tarde de sábado (3), dia de seu aniversário onde comemorou o fim do percurso de maior desafio geográfico da Rotas Verdes Brasil.


Divulgação


balsa Rio Madeira
Pavimentação

Mas por quê a BR-319 é uma rodovia tão ruim? A estrada inaugurada em 1976, já foi construída com a possibilidade de dar errado. Com uma geologia não encontrada em lugar nenhum do mundo, seu asfalto durou pouco. Os buracos apareceram em menos de um ano depois do término das obras. Em menos de 10 anos, foi considerada intransitável pelos órgãos do governo.


Uma nova obra está prevista dentro do pacote do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) que prevê investimentos na ordem de R$ 1 bilhão na estrada. As obras foram iniciadas, nos trechos próximos as capitais e pararam em junho deste ano.


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) solicitou uma série de estudos de impacto, pois há temores que a estrada reformada possa incentivar a ação de ação de grileiros – posseiros que invadem áreas devolutas.


Como forma de atenuar a situação foram criadas nove unidades de conservação estaduais ao longo da rodovia. Há mobilização regional para que as obras estejam concluídas antes da Copa do Mundo.


A necessidade do investimento, entretanto, é questionável, porque a população de Porto Velho e Manaus adaptou-se ao transporte hidroviário ou por avião. Teme-se que a reconstrução da rodovia possa ser uma proposta apenas de interesse político.


Fernando Lara


Acampamento nos catarinos
Etapas

Em Manaus ainda há muito trabalho. O documentarista de Natureza, Fernando Lara, segue em direção à Área de Preservação Ambiental (APA) Caverna do Maroaga, em Presidente Figueiredo, na região metropolitana amazonense. Os trabalhos serão realizados com o apoio da prefeitura local e do Centro Estadual de Unidades de Conservação do Governo do Estado do Amazonas.


Leia mais na página: www.rotasverdesbrasil.com.br. O projeto é uma realização da Fauna e Flora Documentários, de Ipatinga, em parceria com a concessionária Honda Mavimoto, apoiado pelo DIÁRIO DO AÇO e Gráfica Art Publish.

 


MAIS:



Rotas Verdes Brasil - 24/08/2011

Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO