09 de julho, de 2016 | 10:05

Nippon Steel tenta derrubar na Justiça presidente da Usiminas

O assunto foi noticiado pelos principais cadernos de economia


Com atualização às 14h de 11/7 para acrescerntar nota da NSSMC 

DA REDAÇÃO - Na véspera da audiência de conciliação marcada para esta segunda-feira (11) na tentativa de apaziguar os ânimos entre os acionistas majoritários da Usiminas, uma nova informação agitou os bastidores pelo controle da companhia.

Na sexta-feira (8) a Nippon Steel entrou com um agravo de instrumento na Justiça de Minas Gerais pedindo que um interventor assuma a presidência executiva na siderúrgica no lugar de Sergio Leite. O assunto foi noticiado pelos principais cadernos de economia dos veículos de comunicação do país e nos portais do Hoje em Dia e UAI. Responsável pelo comando da empresa desde 25 de maio, Leite substituiu Rômel Erwin de Souza apoiado pela ítalo-argentina Ternium-Techint.

Nesta segunda-feira (11), a desembargadora Mariza Porto que analisa o caso, marcou uma reunião com os controladores, que há mais de dois anos se enfrentam nos tribunais em uma das maiores brigas societárias da história do País. A intenção seria colocar os sócios frente à frente para tentar alcançar um acordo, o que parece distante diante do pedido da companhia japonesa, que acirrou a briga ao pedir intervenção na Usiminas.

Embora o recurso tenha sido indeferido pela desembargadora, o novo Código de Processo Civil (CPC) determina que uma audiência de conciliação seja realizada. O processo corre em segredo de Justiça. Esta é a segunda vez que a Nippon aciona o poder Judiciário tentando mudar o quadro gerencial da companhia. Um agravo de instrumento já foi protocolado em primeira instância, mas negado.

A briga entre as duas companhias é antiga. Em 2014, o então presidente Julián Eguren, indicado pela Ternium, foi afastado por “divergência” nos números da Usiminas. Ele foi substituído por Rômel Erwin de Souza, que tinha o aval da Nippon. Mas em 25 de maio deste ano ele foi substituído por Sérgio Leite, em ato ilegal do Conselho na visão da Nippon Steel.

A decisão da desembargadora pode dar um norte à siderúrgica. A batalha pelo controle agrava o problema financeiro da Usiminas, que, além de amargar prejuízos, encerrou março com dívida bruta de R$ 7,4 bilhões. Como se não bastasse o tamanho do rombo, a composição do débito é preocupante. Afinal, 45% são em moeda estrangeira e quase 40% com vencimento no curto prazo. Ou seja, uma bomba relógio.

“Grave”
Indicado pela Ternium, o presidente do Conselho de Administração da siderúrgica, Elias Brito, se manifestou por meio de nota: “É muito grave que a Nippon peça que a Justiça brasileira desconsidere a decisão do Conselho de Administração da Usiminas para colocar no lugar de presidente, cargo máximo da gestão de uma empresa, um executivo externo, sem conhecimento da companhia e sem ao menos consultar o Conselho. O Conselho de Administração ao elegê-lo confia que Sergio Leite reúne exatamente as qualidades que a Usiminas precisa neste momento: capacidade de unir forças para ajudar a companhia a sair da crise”, diz o texto.

Ainda conforme a nota, a ação da Nippon gerou instabilidade à siderúrgica em um momento delicado. “A postura de pedir um interventor gera grande instabilidade para a Usiminas em um momento sensível para a companhia em que a renegociação das dívidas está sendo finalizada. Importante destacar que a Ternium e a Nippon foram os principais apoiadores do aumento de capital de R$ 1 bilhão, concluído. Em um momento que os sócios apoiam a empresa, a Nippon solicita que a Justiça assuma a responsabilidade pela gestão da Usiminas”, critica o presidente do Conselho.

Surpresa

Conselheiro na condição de representante dos empregados da Usiminas, o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), Luiz Carlos de Miranda, disse ter recebido a informação sobre o suposto pedido da Nippon com surpresa. Ele afirmou não ter tido informação oficial sobre a peça judicial e nem acesso ao pedido.

“Isso é coisa de regime autoritário. Temos de buscar é o entendimento entre os sócios”, disse. (Com IstoÉ Dinheiro, Marta Viera - Estado de Minas; e Tatiana Mores - Hoje em Dia)

Nota da Nippon 

Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC) afirmou que esperava o alcance do consenso entre os dois principais acionistas da Usiminas nos próximos passos dessa questão no âmbito do processo em curso.

Caso isso não ocorra, a NSSMC confia que a Justiça brasileira possivelmente decidirá por outra composição (equilibrada) para a Diretoria da Usiminas, que não aquela ilegalmente eleita em 25 de maio de 2016.

"Foi lamentável – ainda que, infelizmente, não surpreendente – ver o presidente do Conselho de Administração da Usiminas, Sr. Elias Brito (membro do Conselho de Administração indicado pelo grupo Ternium-Techint) divulgar um press release com detalhes, ainda que equivocados, sobre o processo legal que corre em segredo de Justiça – possivelmente com a finalidade de poluir o desenvolvimento do assunto na esfera judicial. Suas responsabilidades com relação a mais essa má conduta devem ser devidamente apuradas".

A NSSMC deseja que esse assunto seja resolvido o mais brevemente possível, para o bem da Usiminas, de seus empregados e todos seus demais stakeholders.

Mais:

Nippon Steel quer Rômel Erwin de volta à Usiminas - 05/07/2016
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