22 de junho, de 2016 | 18:00
Para especialista, eSocial representa fonte de arrecadação para o governo federal
Rodrigo Dolabela comentou alguns pontos do sistema
IPATINGA Até janeiro de 2016, os empregadores de diversos setores terão de se adequar ao novo Sistema eSocial, implementado pelo governo federal como instrumento de controle do cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias. Durante debate promovido pela Fiemg Regional Vale do Aço, nessa quarta-feira (22), o advogado especialista nas áreas Trabalhista, Previdenciária e de Segurança e Saúde do Trabalho, Rodrigo Dolabela, comentou alguns pontos sobre o sistema. A vinda do especialista faz parte do Rotas para o Futuro”, que aborda temas relevantes para o fortalecimento da indústria mineira em municípios que integram as Regionais Fiemg.
O presidente da Fiemg Regional, Luciano Araújo, pontua que a instituição tem trabalhado muito, porque seu maior papel é levar informação às as empresas, com o objetivo de fortalecer a indústria. E isso fazemos por meio da informação, para que estejam aderentes às mudanças, que temos, principalmente nas áreas trabalhistas e tributárias. O Rotas para o Futuro é um momento importante para tirar dúvidas dos empresários. Para sermos uma região competitiva temos de estar bem inteirados de todas essas mudanças”, destacou.
Para Rodrigo, é importante que o empresariado entenda a necessidade de qualificação dos funcionários e investimento em tecnologia para se adequar ao projeto. O projeto é inovador e busca a fiscalização digital. Hoje, o governo tem uma série de obrigações e vai condensar apenas no eSocial, como é feito com empregados domésticos. Todo empregado que sair de férias vai ter que informar para o governo, assim como em seu retorno”, pontua.
Ele observa que, em relação à folha de pagamento, serão dois arquivos para cada trabalhador, ou seja, se uma empresa tem mil funcionários, terá dois mil arquivos. O impacto do eSocial no dia a dia é que, caso a empresa não se adeque a legislação, vai tomar multa. O objetivo é um só da fiscalização virtual: arrecadar mais; o governo quer arrecadar. A previsão é de R$ 89 bilhões de arrecadação a mais, depois que implantar o eSocial no país”, revela.
Adequação
Rodrigo Dolabela acrescenta que os empresários estão assustados com o sistema. Entretanto, a empesa não pode esperar um período muito próximo da entrada em vigor, tem de trabalhar a partir de hoje. Porque a questão do eSocial é o seguinte, são dez áreas envolvidas dentro da empresa: Recursos Humanos; Departamento Pessoal; Fiscal; Contabilidade; Tributário; Jurídico; Medicina; Segurança do Trabalho; Tecnologia da Informação e Gestores. Se não qualificá-las, vai ser um fracasso”, alertou.
Para quem faturou mais de R$ 78 milhões em 2014, o modelo entra em vigor em setembro próximo, para quem faturou menos, entra em vigor em janeiro do ano que vem.
Benefícios
Ele avalia que o eSocial é bom para o empregado, para o empregador e para o governo. Entretanto, é melhor para o governo federal, que vai arrecadar mais. Para o empregado é positivo, porque se entrar na justiça contra a empresa, o juiz vai ter acesso aos dados dele. Para a empresa vai ser bom porque vai acabar com aquele ranço do jeitinho brasileiro. Mas quem está interessado mesmo é o governo. Tem gente que está chamando o eSocial de Big Brother fiscal, tamanha a fiscalização que vai ser feita”, brinca.
O projeto é do governo federal e envolve Caixa Econômica Federal, Ministério do Trabalho, Receita Federal e o INSS.
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