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20 de abril, de 2016 | 20:00

Cinco anos de saudade...

O Vale do Aço ainda lamenta o passamento de Rinaldo Campos Soares


Há cinco anos, a Usiminas, Ipatinga, Minas Gerais e o Brasil perderam um de seus mais destacados e valorosos homens, o engenheiro Rinaldo Campos Soares. Coincidentemente, um câncer derrotou-o no mesmo dia em que todos se lembram de Tiradentes e Tancredo Neves, dois grandes nomes da história mineira.

Rinaldo Campos Soares nasceu em 17 de junho de 1938, em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, filho primogênito de Armando e Cenira Nogueira.
Ainda jovem foi estudar em Ouro Preto, e isso mudou a sua vida. Lá ele se formou em engenharia de Minas e Metalurgia, conheceu Conceição, a mulher e companheira de uma vida, com quem teve os filhos Raquel e Henrique Soares.

Conseguiu uma bolsa de estudos na França, concedida pelo Instituto Costa Sena/Fundação Gorceix, ligada ao Institut de Recherche de La Sidérurgie Française (IRSID), e essa qualificação mais tarde funcionou como a porta de acesso à Usiminas.

Rinaldo viu o golpe militar de 1964 estourar um mês antes de se formar e, por pouco, não foi preso. Certa noite, jipes e soldados do Exército cercaram a república Bavária, onde morava. Vasculharam tudo e encontraram, com Rinaldo, os papéis da bolsa escritos em francês.

O engenheiro recém-formado teve que explicar aos militares que aquela língua estranha era francês, e não o idioma da União Soviética. Após as explicações, foi liberado e embarcou para a França, onde permaneceria por três anos e meio.

De volta ao Brasil, iniciou a sua carreira profissional como Pesquisador do Institut de Recherche de La Sidérurgie (IRSID – França), e depois foi coordenador de Pesquisas Industriais do Instituto Costa Sena, da Fundação Gorceix.

Entrou na Usiminas em 1971, como assessor do Departamento de Engenharia Industrial que, posteriormente, iria chefiar, assim como os departamentos de Laminação a Quente, Laminação a Frio, Metalurgia, Inspeção, Produção e Chefia Geral da Usina Intendente Câmara. Em 1984, foi eleito Diretor de Operações. Em 1990 foi indicado Diretor-Presidente da Usiminas, cargo que ocupou até abril de 2008.

A Usiminas foi a estatal brasileira que abriu o Programa Nacional de Desestatização (PND). A privatização da empresa – ocorrida em outubro de 1991 - foi um dos passos mais importantes na história da siderúrgica. A partir disso a companhia adotou novo foco empresarial e se posicionou no mercado siderúrgico de forma mais competitiva.

Rinaldo Campos Soares teve papel preponderante no êxito desse processo, particularmente ao garantir que os trabalhadores da empresa e diferentes setores da comunidade ipatinguense tivessem garantidos alguns direitos históricos, e até avançassem em alguns pontos.

Isto porque uma das coisas que Rinaldo mais prezava, seguindo o espírito empresarial japonês de manter boas relações com as comunidades onde atua, era fazer a empresa se desenvolver junto com a cidade que a abrigou.

E assim, sem julgamentos de mérito, todos os que com ele conviveram são unânimes em afirmar que, desde que Rinaldo deixou o comando da Usiminas a empresa não parou de vivenciar problemas, numa descendente que, agravada pela crise política e econômica vivida pelo país nos últimos anos, levou junto a economia de Ipatinga e do Vale do Aço.

Razão pela qual, a cada ano que passa, mais crescem as saudades e as lacunas que a sua ausência deixaram na cidade e em seu povo.

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“Um nome respeitado...”

Maria da Conceição Dias Soares esteve 46 anos casada com Rinaldo, e mais do que ninguém, conhecia a fundo o seu caráter. “Além da saudade e do vazio, ele deixou um nome respeitado, e é gratificante ter provas disso até hoje”, afirma.

Conceição lembra que o marido era um homem que primava pela ética e pelo respeito com que tratava as pessoas, não importa a profissão que tivesse ou o posto que ocupasse. “O corpo físico acaba, mas a obra fica. O que deixamos na vida não é a riqueza ou posição, mas um nome, e Rinaldo conseguiu isso. Ele pode não ter sido uma unanimidade, mas mesmo quem tinha diferenças com ele o respeitava”, assevera.

Sobre o período de dificuldades vivido atualmente pela Usiminas, Conceição Soares se diz entristecida. Ela lamenta, particularmente, as demissões ocorridas na Cosipa. “São muitas famílias privadas de seu sustento. Isso é terrível, mas um dia ou outro este ciclo vai passar. O período do Rinaldo foi de sucesso, beleza e desenvolvimento, e ficou na memória de todos que o viram de perto”, lembra.

Para Conceição, o que mais importa neste momento é não desistir nem perder a esperança. Ela fala de humildade e espírito público para vencer a má fase. “Rinaldo tinha o dom de pensar grande, de preocupar-se com a empresa e a cidade. Mas o sentimento maior que ele nos deixou está no coração. Ele se foi com a consciência do dever cumprido, e eu tenho uma enorme gratidão ao povo de Ipatinga e do Vale do Aço por se lembrar disso”, finalizou Conceição Soares.
 
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