09 de abril, de 2016 | 18:00

Pastor Júnior Calais fala sobre desafios à frente da Assembleia de Deus

Líder religioso substitui Antônio Rosa da Silva, que pediu a sua jubilação.


IPATINGA – O pastor José Martins de Calais Júnior é o novo presidente das Assembleias de Deus, campo Coronel Fabriciano e Ipatinga, que reúne aproximadamente 280 templos e 30 mil fieis. Ele substitui o pastor Antônio Rosa da Silva, que pediu a sua jubilação e agora atua como presidente de honra. O nome do pastor Junior Calais foi aprovado após o ministério se reunir em Assembleia Geral Extraordinária. Até então, ele exercia a primeira vice-presidência.

Nascido em 28 de julho de 1966, no distrito de São Candido, em Caratinga, filho de José Martins de Calais e Zilca Ferreira de Calais, o pastor Junior Calais é casado com Vânia Gonçalves de Oliveira e tem dois filhos, Ana Elisa e Micael Douglas. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o líder religioso fala sobre a expectativa e os planos para o futuro.

DIÁRIO DO AÇO – Quando o senhor iniciou a vida religiosa?

PASTOR JÚNIOR CALAIS - Nasci em lar evangélico, estou com 49 anos e nunca me afastei da igreja. Estou no ministério oficialmente há 22 anos, mas trabalho na igreja como voluntário desde os 14 anos. Sempre aqui em Ipatinga, apesar de nascido em São Candido, viemos para a cidade quando eu era muito novo e fui praticamente criado aqui. A minha mãe era professora de escola dominical, dirigente do círculo de oração e cresci nesse meio, vendo minha mãe trabalhando na igreja. Com meu pai aprendi a trabalhar e com minha mãe aprendi a adorar à Deus. 

DA – Assumir o posto de presidente da Assembleia de Deus é um desafio?

PJC - Confesso que não é fácil, não é algo que busquei. Vejo que Deus nos colocou nessa função. Na igreja Assembleia de Deus ministério de Coronel Fabriciano-Ipatinga, sou o terceiro presidente. É um desafio, mas sei que não é impossível. Se formos fieis a Deus, à palavra de Deus, ao ministério, acredito que tudo vai dar certo, como tem dado até agora.

DA – Já tem projetos para o ministério?

PJC - O meu primeiro projeto é de fidelidade e compromisso com a história já construída. Tenho um compromisso de manter essa história e estudar as necessidades atuais. Porque a cada tempo, as coisas mudam, a geração é outra e tenho um desafio moderno, um desafio para esse tempo. Não tenho um projeto pronto, ele está sendo construído, de um ano pra cá o pastor Antônio Rosa tem conversado comigo e me preparando. Tive oportunidade ao longo do meu ministério de liderar várias frentes de trabalho e isso me credenciou, pois adquiri a confiança do ministério, onde tive o apoio para ser presidente.  

DA – O senhor acredita que os valores estão desvirtuados?

PJC - Não é fácil pastorear numa época em que os valores estão se perdendo, se invertendo. Temos um trabalho de defender a palavra de Deus. Hoje o povo questiona muito. Sou membro da Assembleia de Deus desde os meus 14 anos. Fui batizado em 1980, era uma (outra) geração. A de hoje questiona, pergunta e se não se satisfaz com a resposta, tem a internet que dá resposta para tudo. Eles vêm até nós, nos questionam, nos perguntam e temos de definir qual é a nossa teologia, aquela adotada pela Assembleia de Deus. Tudo isso nós estamos trabalhando com muito afinco, atualizando o estatuto da igreja, nossa visão, sem perder a essência bíblica. Temos cuidado de não fazer mudanças drásticas. Isso não resolve problemas da humanidade. Temos que, paulatinamente, atender às demandas, ouvir as pessoas. Hoje o ser humano precisa ser ouvido e muita coisa se resolve assim. Estou ouvindo as pessoas, buscando entender, aconselhando e essa tem sido a nossa tarefa.

DA – Como vê o tema da intolerância religiosa, muito debatida atualmente?

PJC - Separo em dois pontos: primeiro, nós não incentivamos a intolerância de forma alguma. Pregamos o respeito e a palavra de Deus, que vem para todos. Porém tem um detalhe: se eu evangelizo, enquanto evangelizo, posso ser tido como intolerante, mas é meu direito evangelizar. Se intolerância estiver baseada no meu direito de propagar a minha fé, então sinto como que alguém não está me tolerando. A minha fé me ensina a pregar o evangelho. Agora, o respeito às pessoas, nós temos que ter. Respeitamos a diversidade. Hoje estamos discutindo muito a adversidade de gênero. Como igreja vou pregar o que a bíblia diz, mas em todo momento vou respeitar quem quer que tenha uma opção diferente daquilo que ensinamos.

DA – O que o senhor pensa sobre a união entre pessoas do mesmo sexo?

PJC - Não aceito essa visão a partir do momento em que ela seja imposta. Mas a liberdade das pessoas, vamos respeitar sempre. Como igreja vamos pregar o que a Bíblia ensina: que casamento tem que ser entre homem e mulher e quero ser respeitado na minha forma de pensar, na forma como eu creio. Quando eu prego isso alguém diz que estou sendo homofóbico, e não é. Tenho que ser respeitado. Por outro lado tenho a obrigação de respeitar o outro que pensa diferente. A Assembleia de Deus não ataca as pessoas. Respeitamos, tanto é que recebo em minha igreja homossexuais, oramos por eles e em nenhum momento os agredimos com palavras. A mensagem é para todos, Jesus salva, liberta e transforma.

DA – Qual mensagem o senhor deixa para a comunidade?

PJC - Quero falar sobre o pastor Antônio Rosa, agradecendo à Deus por sua vida. Foi ele que me batizou nas águas em 1980, fez meu noivado em 1993, meu casamento em 1994, me consagrou diácono, presbítero, me deu desafios.  Fui diretor de missões durante 12 anos, presidente de um asilo e de uma creche e sempre me colocou desafios e Deus me deu graça para vencer.

Ao ministério digo que tenho um compromisso de prepará-los e juntos estudarmos uma melhor forma para essa geração, porque não é um pastor presidente que resolve as questões de uma sociedade. Mas é a igreja, o pastor presidente, os pastores regionais, os presbíteros, os diáconos, os auxiliares e os membros. Temos de estar em sintonia e tem de haver reuniões. Convoco o povo a sempre estar reunido, debatendo. Eles têm a liberdade de me procurar. Gosto do diálogo. Não tenho problemas com perguntas, as pessoas precisam ser ouvidas e respondidas (os seus questionamentos). 


SOBRE O ASSUNTO:

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