02 de abril, de 2016 | 18:44
Curso ensinará estratégias de marketing político eleitoral
Especialista ministra curso em Ipatinga sobre planejamento de campanha e uso de recursos virtuais em campanhas
IPATINGA - No próximo dia 9 de abril será promovido o curso Marketing Político Eleitoral Estratégias e ferramentas para o mandato e eleição. O treinamento ocorrerá das 8h às 18h, no Hotel Panorama, no bairro Iguaçu. O uso de ferramentas digitais, mobilização em rede, pesquisas eleitorais, comunicação e propaganda, construção de imagens e planejamento de campanhas estão entre os temas, que serão tratados pelo especialista Gustavo Fleury.
ornalista com especialização em marketing político, Guga, como é conhecido, trabalhou como assessor de imprensa no Congresso Nacional e em veículos, como tv, rádio e internet. Autor de quatro livros, "Eleições 2006. Do factual ao virtual", "Eleições 2008. O Brasil e o Efeito Obama", "Eleições 2010. Fatos reais, estratégias virtuais e ações profanas" e "Manual de Campanha Eleitoral - vitórias em construção". Como consultor político já participou da gestão de mais de 100 campanhas eleitorais e mandatos políticos. Em entrevista ao Diário do Aço, Guga aborda temas pontuais de seu trabalho e do cenário político atual.
Como foi o seu ingresso no marketing politico?
Comecei a me interessar e participar de campanhas políticas muito novo, aos 11 anos na primeira eleição presidencial pós ditadura (1989). Como profissional mesmo, desde 2002, e de lá pra cá, a cada ano cada vez mais ativo, no trabalho, no estudo e especialização no tema. Nestes quase 15 anos participei de muitos projetos nas esferas eleitoral e governamental, de vereador a presidente da república.
O que o senhor pensa sobre o momento politico do Brasil? De fato haverá mudança na forma da governança pública?
Vejo que o Brasil, assim como grande parte do mundo, vive transformações importantes, sobretudo no campo da comunicação. Se observamos as recentes quedas ou mudancas de regimes politicos - a sua maioria totalitários - entenderemos que esse fenômeno de mobilização de massas por meio das redes sociais se constitui numa esfera diferente, e talvez uma nova era. Não há como negar o poder da mobilização que um Facebook ou Whatsapp possui. Hoje, o eleitor, o cidadão, está mais participativo, recebe informações de canais diferentes, ele é o que chamamos de prósumidor; isto é, ao mesmo tempo que consome informação, ele produz, e ativamente. Então vivemos num momento em que a comunicação de muitos para muitos quebrou o monópolio dos grandes conglomerados de poder. Aliás, quem detém o poder nos dias de hoje? Quem possui recursos? Um aristocrata? Alguém que possui uma grande empresa ou uma fatia extensa de terras? Não, o poder esta sobretudo em quem tem informacao e capacidade de mobilização. Nesse sentido, tudo que assistimos com relação ao governo federal e a presidente Dilma, é reflexo disso. O governante que não se atentar a isso, perderá o controle das massas ou não terá êxito em sua luta por poder.
Sobre o atual cenário, onde isso pode terminar? Saída da presidente, mudanças no congresso? Devolução de recursos públicos?
Pelos fatos recentes, a mobilização política e partidária no sentido de afastamento da presidente por parte do PMDB e aliados, vejo o impeachent inevitável. E aqui faço uma ressalva importante. Não estou dizendo se penso ser este o melhor caminho, se há legalidade no processo, mas a ruptura do poder e o esfacelamento do PT é inevitável neste cenário. E é a primeira vez que as classes menos abastadas se sentem desprestigiadas pelo governo, não pela corrupção e, sim, por questões econômicas (desemprego, aumento de tarifas etc).
Até que ponto o senhor acredita que tudo isso influenciará na decisão do eleitor nas eleições que se aproximam?
Ao que tudo indica, muito provavelmente, quem for disputar um cargo majoritario em 2016 (prefeito) e estiver no PT, deverá sofrer sanção de pelo menos parte da população. Outro ponto importante é a imagem do candidato. Quem tiver um passado mais limpo, ilibado, deverá ter uma vantagem neste momento - mais do que em outras oportunidades. Recentemente, a Folha de São Paulo divulgou uma pesquisa que traduz uma realidade: mais de 50% da população está à procura de algo diferente, deseja o novo. E isso está marcado, evidentemente, em cargos executivos como prefeitos.
Qual a importância das mídias sociais nas eleições municipais de 2016?
Elas têm o poder de informar e mobilizar um grande contigente de pessoas de maneira rápida, organizada e segmentada (quando corretamene utilizada). Por outro lado servem em grande parte para desfragmentar e desestruturar pessoas e tudo que as circula - grupos, ideias, expressões e conceitos. Há, então, o caminho da construção e da desconstrução, e infelizmente a maioria das candidaturas só tem utilizado com o segundo objetivo, e o que se constitui um grave erro.
O participante de sua palestra dia 9/4 em Ipatinga aprenderá uso de quais ferramentas digitais?
No curso de marketing político que iremos ministrar mostraremos aos participantes como montar uma campanha digital utilizando-se de planejamento, técnicas, estratégias e ações já testadas - com bons resultados. Para isso apresentaremos cases que mostram mobilização, envolvimento, compreensão e medição com o monitoramento das redes e muito mais. Nosso maior objetivo é fazer com que as pessoas saiam do curso com um bom conhecimento do que fazer e o que não fazer numa campanha, principalmente na internet.
Pela sua experiência, quais as principais preocupações devem ser consideradas no planejamento de uma campanha que inclua uso de recursos virtuais?
Inicialmente delegar atividades para pessoas instruídas e capacitadas. Isto é, a internet é uma excelente ferramenta para conversão de votos, desde que operada por um especialista, não pelo sobrinho do candidato que gosta de mexer no facebook”. E, sobretudo, entender que as redes sociais devem ser um campo de diálogo, interação, uma mão de duas vias, onde as pessoas possam ser ouvidas, possam participar, e não um monólogo chato de políticos falando de si mesmo.
Qual o público que deve fazer este curso?
Políticos, candidatos, assessores, coordenadores políticos, profissionais e estudantes de áreas de comunicação, propaganda, internet/redes sociais, marketing, administração, ciências sociais, psicologia e direito, entre outros profissionais.
Por fim, o que podemos esperar de uma campanha de 45 dias?
Ela irá privilegiar dois tipos de pessoas: aquelas que já são conhecidas (tem recall ou estao bem estabelecidas na mente das pessoas) e aquelas que entenderam que o período antecessor era na verdade o mais importante e onde poderia ter sido feito quase tudo com mais calma e menos custo. Eleição é época de colheita, não de plantação.
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