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19 de março, de 2016 | 18:00

Sonho da casa própria adiado

Financiamento feito pela Caixa Econômica está travado por falta de verba


IPATINGA – Após ter o pedido de financiamento aprovado pela Caixa Econômica Federal (CEF), por meio da linha de crédito pró-cotista, Leonardo da Paz Rodrigues viu o sonho da casa própria ser adiado. A explicação que o oficial de máquinas recebeu de seu correspondente bancário é de que não existe verba para essa modalidade de financiamento, que usa recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A situação de Leonardo não é novidade e tem sido relatada em outras partes do país. Não se sabe ao certo o número de brasileiros prejudicados com a restrição do crédito imobiliário pela modalidade pró-cotista. Entretanto, a CEF afirma que as operações com os contratos já aprovados serão honradas.

Leonardo explica que seu financiamento está aprovado desde janeiro de 2016 e houve, inicialmente, um problema de troca de protocolo. Após ser aprovado novamente, deveria ocorrer a assinatura dos papéis em 3 de fevereiro. Entretanto, o correspondente disse que não havia dinheiro para assinar o contrato. A partir daí, Leonardo, que atualmente mora no bairro Iguaçu com a esposa, passou a procurar a Caixa em busca de uma solução, que não aparece.

“O rapaz que me vendeu o apartamento no bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso, começou a me cobrar juros, porque ele não estava recebendo. Ele estava levando prejuízo. Começou a me cobrar juros por uma coisa que não estou usando, por causa da Caixa”, lamenta. Ele observa que no dia 26 de fevereiro foi liberado um recurso para a CEF, para o pró-cotista, mas até hoje não obteve retorno. “Somente falam que vão honrar quem fez esse agendamento, mas até agora não sabemos de nada. Estamos num beco sem saída”, disse. 

O oficial de máquinas mora em um imóvel de propriedade dos pais de sua mulher. O sonho da casa própria levou o casal a buscar o financiamento do apartamento, negociando diretamente com o dono, desde o início de sua construção. “É um imóvel na planta, eu o pagava todos os meses. Fiz um contrato, dei uma entrada e o pagava por mês. Quando liberou o documento, ficou por conta da Caixa. Não pago aluguel aqui, mas quero mudar o mais rápido possível para minha casa”, destaca.

A indefinição tem tirado o sossego de Leonardo e de Aline. Eles compraram todos os móveis, alguns planejados, mas o proprietário do imóvel não quer deixar que a montagem seja feita porque o financiamento não sai. “Se algo der errado, vai ter de ser feita outra avaliação do imóvel, que, com móveis, parecerá usado. A ansiedade de mudar para nossa casa nova é muito grande”, relata. 
Wôlmer Ezequiel


Leonardo


Caixa
Em nota, a assessoria da Caixa Econômica Federal informou que, com a suplementação de recursos autorizada pelo Conselho Curador do FGTS, em 26 de fevereiro, todas as operações da linha pró-cotista que foram aprovadas pela Caixa, como é rotina do banco, serão honradas.
A CEF aplicará cerca de R$ 7 bilhões do volume aportado (R$ 9,5 bilhões) pelo Conselho Curador do FGTS para a linha de crédito Pró-Cotista. As taxas nessa modalidade vão de 7,85% a 8,85% de juros ao ano, para compra de imóveis de até R$ 750 mil. A Caixa informa que aplicará, ainda, R$ 6,7 bilhões do volume autorizado, do total de R$ 10 bilhões, pelo Conselho Curador do FGTS para utilização em outra modalidade, pelo Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI).

Pró-Cotista
Em 2015, aponta a nota, a Caixa aplicou R$ 5,7 bilhões na linha de crédito Pró-Cotista e, em 2016, já foram aplicados integralmente o orçamento de R$ 700 milhões. A linha de crédito destina recursos financeiros para a concessão de financiamentos de imóveis residenciais situados em áreas urbanas, exclusivamente para trabalhador titular de conta vinculada do FGTS, observadas as condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e de utilização do FGTS para a aquisição de moradia própria.

A linha financia até 85% de imóveis avaliados em até R$ 750 mil localizados no RJ, MG, DF e SP e R$ 650 mil para os demais estados pelo prazo máximo de 360 meses para clientes que trabalharam 36 meses, consecutivos ou não, sob-regime do FGTS. Caso o cliente não possua contrato de trabalho ativo, deve possuir saldo em conta vinculada do FGTS correspondente a, no mínimo, 10% do valor do imóvel. As taxas de juros variam de 7,85% a.a até 8,85% a.a, enquanto a quota máxima é de 85% do valor do imóvel, dependendo da modalidade de financiamento.

Nessa linha específica, o recurso é limitado, sendo que as operações aprovadas estão sendo honradas normalmente pelo banco. Contudo, até que haja suplementação de recursos a Caixa não está autorizando trâmite de novas operações. A Caixa informa que nas demais linhas com recursos do FGTS as contratações estão normais.
 
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