17 de março, de 2016 | 18:00

Lideranças regionais opinam sobre situação política do país

Instabilidade causa incerteza e prejuízo para economia


IPATINGA – O quadro político brasileiro dos últimos dias domina os debates. Os diversos protestos realizados país afora no último fim de semana, demonstram o descontentamento generalizado. As discussões estão polarizadas e intolerantes entre os que defendem o governo petista e os que querem a saída da presidente Dilma Rousseff (PT). Nessa quinta-feira (17), após tomar posse no Ministério da Casa Civil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve sua posse suspensa por uma decisão liminar do juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. No Vale do Aço, lideranças políticas e empresariais avaliam o cenário e os reflexos da instabilidade política.

O prefeito de Belo Oriente, Pietro Chaves (PDT), acredita que o modelo político precisa ser revisto. Em sua opinião, o Ministério Público, Judiciário e Polícia Federal realizam um grande trabalho neste momento. Para ele, o país sairá fortalecido dessa situação. “Todo brasileiro sonha com o fim da corrupção. Entendemos que é um momento delicado e temos de tirar lições disso. A democracia está se fortalecendo e provando que no país as instituições estão fazendo o dever de casa”, avalia. O prefeito acrescenta que a instabilidade atinge a economia, gerando o medo da compra e do investimento. “Causa certa incerteza, que gera dúvida no mercado. Ninguém investe num país dessa forma”, aponta.

O prefeito de Mesquita e presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Aço (Amva), José Fábio Oliveira Gonçalves, o Fabinho (PDT), relata que o momento político é visivelmente prejudicial. “A receita das prefeituras, por exemplo, é diretamente prejudicada. A principal atitude é mudar os administradores do país, que perderam a credibilidade. Os investidores não acreditam mais no Brasil. A culpa é de quem gerencia e não da equipe”, afirma. 
Alex Ferreira


manifestação


O suplente de deputado federal e vereador de Ipatinga, Roberto Carlos Muniz (PTdoB), cita que o momento é de insatisfação por parte da população. “Precisamos de mudança de conceito na política, pois esse modelo não funciona mais. Está na hora de rever e formatar. Essa instabilidade causa insegurança jurídica e política e interfere demais em nossa economia. Não podemos permitir que essa situação persista. Precisamos de representantes que defendam os interesses do país e não joguem contra”, frisa.

Desesperança

Ex-vereador e presidente da Câmara de Ipatinga por três vezes, Nardyello Rocha acredita que a situação do país traz desesperança ao povo brasileiro. Ele observa que, abaixo de Deus, a esperança do povo é a Justiça. Na sua avaliação, quando um ex-presidente escolhe ser jugado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em vez de um juiz de 1ª instância, mesmo sabendo que ainda existem vários recursos e no STF não, coloca em xeque a honestidade do Supremo.

“Se nós brasileiros acreditamos na Justiça e sabemos que o STF é a instância máxima, senão acreditarmos nele, no que vamos acreditar? O Lula, ao aceitar ser ministro, no mínimo colocou em xeque a credibilidade do STF”, ponderou Nardyello. O ex-vereador acredita que a instabilidade gerada no país faz com que os brasileiros, em 2016, tenham saudades de 2015.

Questionado sobre os impactos sociais e econômicos diante do cenário político atual, Nardyello destaca que, no caso de Ipatinga, existe somente uma alternativa, que é reinventar a economia da cidade e as formas de arrecadação. “Não podemos mais viver só da siderurgia e, mesmo porque, ela já está combalida. Temos de investir no turismo ecológico, de negócios, esportivo, cultural e, acima de tudo, buscarmos novos nichos para gerar novas receitas para o município”, reitera.

Setor produtivo vive “situação terrível”

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Prestação de Serviços e da Câmara de Dirigentes Lojistas (Acicel-CDL) de Coronel Fabriciano, Marco Túlio Lamounier, classifica a situação como terrível. Para o dirigente, o país está num barco à deriva e sem horizonte. “A situação é preocupante, não vemos uma luz no fim do túnel. Somos uma região industrial, que depende da cotação do dólar e do mercado de commodities. Vivemos um arrocho econômico e não vemos as coisas acontecerem, a exemplo da obra da BR-381, que não é concluída. Isso tudo só nos prejudica”, lamenta.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes lojistas de Ipatinga (CDL), Cláudio Zambaldi, a instabilidade política atinge também o Vale do Aço. “Notícia ruim vende, como dizem por aí. A imagem que o país transmite para os investidores não é de confiança. Para piorar, a siderurgia vive em crise. Precisamos de seriedade para conseguir sair dessa situação. Esses políticos que não levam o país a sério precisam sair”, salienta. 

Leia também:

“Ipatinga nas ruas” - 13/03/2016

“Queremos Lula presidente em 2018” - 13/03/2016
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário