11 de março, de 2016 | 13:45
Tirem a mão da Usiminas”
Em dia decisivo de reunião do Conselho de Administração, grupo faz vigília em frente ao escritório da Usiminas, em BH
Um grupo de pessoas faz vigília em frente ao Escritório Central da Usiminas, no bairro Engenho Nogueira, em Belo Horizonte, na tarde desta sexta-feira, data em que ocorre a reunião do Conselho de Administração da Empresa.
Entre os integrantes da vigília estão alguns ipatinguenses. Com carro de som e carregando faixas e cartazes, as pessoas pedem uma solução na crise instalada na direção da Usiminas, com disputa entre sócios que prejudica o desenvolvimento da companhia.
"Tirem as mãos da Usiminas. Queremos trabalhar", diz uma das faixas. "Usiminas, patrimônio de Minas Gerais", diz outra.
Em resposta a ofício enviado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Usiminas confirmou que nesta sexta-feira ocorre uma reunião do conselho de administração, que vai discutir, entre outras matérias, alternativas para injeção de recursos na siderúrgica. A companhia afirma que uma dessas alternativas é o aumento de capital com a emissão de novas ações.
A data da reunião foi antecipada pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na semana passada. O ofício foi enviado pela CVM por conta de informações divulgadas pela imprensa sobre o possível aumento de capital da Usiminas. No mesmo comunicado, a siderúrgica ressalta que não há qualquer decisão tomada a respeito do assunto.
Entenda
Sem caixa para tocar suas operações, a japonesa Nippon Steel, que faz parte do bloco de controle da companhia, estaria disposta a desembolsar até R$ 1 bilhão sozinha, caso os outros sócios não queiram fazer a capitalização.
Para dar fôlego à siderúrgica mineira, o grupo ítalo-argentino Ternium, subsidiária da Techint, que também faz parte do bloco de controle, é a favor da utilização de parte do caixa da Mineração Usiminas (Musa) e da operação de "stand still" (congelamento de dívidas) para renegociar um alongamento com os bancos. A Musa poderá repassar cerca de R$ 500 milhões para o caixa da siderúrgica, que corre riscos de entrar em recuperação judicial.
Os dois sócios do bloco de controle, que se desentendem desde setembro de 2014, estão cientes da atual situação financeira do grupo e buscam saídas para salvar a companhia. Entre os maiores credores estão os bancos JBIC (Japan Bank for International Cooperation), BNDES, Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil.
Os bancos condicionam o alongamento das dívidas a um aporte dos acionistas. Entre 2016 e 2017, os débitos a serem pagos somam quase R$ 4 bilhões. Só neste mês, vencem cerca de R$ 500 milhões.
Em nota, a Ternium informou que "as melhores alternativas de curto prazo para aliviar o endividamento da companhia e proteger todos os acionistas e bancos nacionais são a utilização imediata do recurso disponível na Mineração Usiminas".
Além disso, o grupo é a favor de uma negociação para prolongar os vencimentos de curto prazo da Usiminas e de "um aporte limitado de capital, a fim de evitar diluições desnecessárias".
A companhia informou que mantém diálogo constante com os outros acionistas para chegar a uma solução. "Tais premissas confirmam o compromisso da Ternium com o futuro da Usiminas", afirma a nota.
O grupo, que está fora da gestão da siderúrgica por causa das desavenças com a Nippon, reiterou que é a favor de buscar uma solução estratégica de longo prazo para a Usiminas, a fim de garantir a sobrevivência da empresa.
Carta
Em carta enviada de Tóquio (Japão), na terça-feira, para o governador Fernando Pimentel (PT), divulgado pelo jornal O Tempo, o diretor-presidente da Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation, Kosei Shindo, reiterou que o conglomerado pode arcar sozinho com o aumento de capital da Usiminas, caso a outra sócia da siderúrgica mineira, a Ternium/Techint, não aceite aportar.
No documento, o grupo japonês joga a responsabilidade para o governo brasileiro ao dizer que a crise na siderúrgica não é só causada pelo imbróglio entre os acionistas, mas também pela confusão política”.
O acionista japonês admite que os sócios devem resolver os problemas de governança o mais rápido possível. E informa ao governador que neste momento, a prioridade é evitar a falência da Usiminas, através da solução dos problemas financeiros da companhia, sendo essencial a ajuda dos bancos credores”.
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