10 de março, de 2016 | 18:00

Voto define renovação de turnos em siderúrgica

Assembleia ocorre nesta sexta-feira e no sábado, nas portarias da Usiminas


IPATINGA – O Acordo de Turno da Usiminas será votado pelos metalúrgicos entre sexta-feira e sábado (11 e 12). A empresa propõe manter a tabela atual, que vence no dia 31 de março. Até lá, empresa e trabalhadores precisam assinar um novo acordo ou a companhia fica legalmente obrigada a implantar um dos turnos previstos na legislação trabalhista. A votação ocorre nesta sexta-feira das 21h30 às 23h30 e, amanhã, das 13h30 às 15h30, nas portarias do Centro, Doap (Bom Retiro) e Cariru.

Na cédula de votação, que terá “sim” ou “não”, o empregado escolherá se aceita a renovação, com os critérios estabelecidos pela empresa, por mais dois anos: sendo 37,38 horas/semana, até oito horas diárias e quatro letras em três turnos. Conforme a empresa, as opções previstas em lei são o turno fixo de oito horas, no qual cada trabalhador é designado para um horário de trabalho sem rodízio entre manhã, tarde e noite; e o turno de revezamento de seis horas, no qual o empregado poderá trabalhar cada dia em um horário diferente, conforme determinação da empresa.

Em reunião realizada no dia 4 deste mês, a Usiminas apresentou aos representantes dos Sindicatos dos Engenheiros (Senge), dos Metalúrgicos (Sindipa) e dos Técnicos (Sintec), a proposta para o Acordo de Turno 2016. A empresa propõe manter a atual tabela de revezamento com turno de oito horas. Atualmente, os horários de trabalho, são: 6h40 às 14h50; das 14h40 às 22h50 e 22h40 às 6h50. Para o presidente do Sindipa, Hélio Madalena Pinto, o horário praticado é desgastante, pois o trabalhador não tem convívio social e familiar.

Segundo ele explica, foram feitas várias reuniões onde outras tabelas também foram sugeridas pelos trabalhadores, a maioria praticada em outras empresas do país, como a da CSN, que tem jornada de 36h, por exemplo. “O turno atual prejudica a saúde do trabalhador, gerando desgaste e risco de acidentes. Essa tabela atual prejudica o empregado que quer estudar. Ele acaba não tendo um convívio social, pois os dias de folga não chegam a dois, se considerarmos que ele deixa o serviço de manhã e dorme boa parte do dia”, avalia.

Empresa
A Usiminas, por sua vez, reafirma que, com a crise da siderurgia brasileira, o turno de revezamento de seis horas é economicamente inviável. Para a implantação deste sistema, a companhia teria que inflar seu efetivo em 25%, justamente quando a demanda por aço se encontra em seu nível mais baixo. O consumo de produtos siderúrgicos no Brasil despencou 16,7% em 2015 em relação a 2014, ano que havia sido 6,8% menor do que em 2013.

Para 2016, a previsão é ainda pior: queda de 5% em relação ao ano passado. Em função disso, a Usina de Ipatinga está operando com um de seus três altos-fornos desligado. Nesse cenário, a opção, caso não ocorra o acordo com todas as categorias até o dia 31 de março, será adotar o turno fixo, conforme obrigação legal.
O sindicato fez reuniões com trabalhadores nos dias 21, 22, 23 e 24 de fevereiro. Os empregados compareceram e discutiram quais as tabelas atenderiam. A Usiminas se dispôs a avaliar qualquer nova tabela de turno apresentada, mas ressaltou que só poderia aceitar propostas que obedecessem à legislação vigente e que não diminuíssem o volume de horas trabalhadas semanalmente.
 


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