09 de março, de 2016 | 17:35

Fim do bloqueio da EFVM em Perpétuo Socorro

Depois de dois dias de protesto, populares desmontaram acampamento sobre trilhos da Vale no fim desta tarde


BELO ORIENTE – A ocupação da Estrada de Ferro Vitória a Minas no distrito de Perpétuo Socorro (Cachoeira Escura) por manifestantes foi encerrada no fim da tarde desta quarta-feira (9). A mobilização ocorreu para exigir que a Samarco viabilize a captação permanente de água do rio Santo Antônio - e não do rio Doce – para abastecer o distrito, e distribuir água mineral à população enquanto a infraestrutura reivindicada não fique pronta.

Os manifestantes informaram que uma reunião ocorrerá com representantes da Samarco em Belo Horizonte na sexta-feira (11/3) para negociar o impasse. O protesto teve início na manhã de terça-feira (8). Um acampamento foi montado sobre a Estrada de Ferro Vitória a Minas e pessoas se revezaram nas instalações por dois dias.

Além de moradores de Cachoeira Escura, o ato teve militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e entidades ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A organização estima que cerca de 300 pessoas participaram do protesto.

No distrito, a água que chega às torneiras é captada no rio Doce e tratada “dentro dos parâmetros de qualidade”, afirmou a Samarco ao DIÁRIO DO AÇO na terça-feira. “O nosso protesto, pacífico, é por acesso à água, sem metais pesados, sem rejeitos da mineração”, enfatizou a militante Ellen Dutra de Oliveira. No fim da tarde de ontem, os manifestantes desmontaram o acampamento sobre a ferrovia.

A água captada do Doce é tratada na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Belo Oriente com o polímero da acácia negra desde que o rio Doce foi atingido pelo "mar de lama" que veio depois do rompimento da Barragem do Fundão em Mariana, na área de extração de minério de ferro da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton. 

Justiça

A Vale, em nota, informou nesta quarta-feira que novamente fez o baldeio dos passageiros entre os dois trens, um oriundo de Vitória e outro de Belo Horizonte, com o uso de ônibus alugados pela empresa. O transporte rodoviário ocorreu entre as cidades de Governador Valadares e Ipatinga, fora do trecho bloqueado.

A empresa disse também que acionou a Justiça para que a ferrovia fosse desobstruída e aguardava decisão favorável, antes do término do protesto. A companhia reiterou que está focada na “remediação e medidas de recuperação social, ambiental e econômica das regiões atingidas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo”. 


SOBRE O ASSUNTO:

Manifestantes bloqueiam ferrovia em Cachoeira Escura - 08/03/2016
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