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08 de março, de 2016 | 14:23

Manifestantes bloqueiam ferrovia em Cachoeira Escura

Populares pedem posicionamento da Samarco quanto à entrega de água potável aos moradores


Atualizada às 17h30. 

DA REDAÇÃO – Dezenas de moradores do distrito de Perpétuo Socorro (Cachoeira Escura), em Belo Oriente, bloquearam, no fim da manhã desta terça-feira (8/3) um trecho da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Os manifestantes reivindicaram da Samarco a volta da distribuição de água mineral no distrito. Os populares disseram que estão temerosos com a água que é captada no rio Doce, tratada e distribuída às casas. 

O protesto ocorria até o fim da tarde desta terça. O ato teve participação de representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Central Única dos Trabalhadores (CUT), e outras entidades.

Um acampamento foi montado na linha férrea. As entidades que fomentavam o protesto viabilizaram alimentação para os participantes. A Polícia Militar acompanhou as ações que, até esta tarde, ocorriam de forma pacífica.

Os manifestantes disseram à reportagem que não deixariam o local até que gestores da Samarco fossem à área para se posicionarem sobre as reivindicações. A principal delas é que a captação de água passe a ser feita, permanentemente, no rio Santo Antônio. Enquanto isso não ocorre, eles pedem a distribuição de água mineral, fornecimento que foi interrompido pela empresa.

A água captada do Doce é tratada na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Belo Oriente com o polímero da acácia negra desde que o rio Doce foi atingido pelo "mar de lama" que veio depois do rompimento da Barragem do Fundão em Mariana, na área de extração de minério de ferro da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton.

Os moradores do distrito questionam se a água é, de fato, própria para consumo. Eles afirmam, por exemplo, que após consumirem a água tratada do Doce têm tido coceiras e manchas no corpo. Outra reivindicação deles é a melhoria da infraestrutura da caixa d’água do distrito.

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acampamento ferrovia


Laudo
A Prefeitura de Belo Oriente informou que a água tratada do rio Doce passou por análise laboratorial, contratada pela Samarco e também pelo governo municipal junto à Copasa. “A água se encontra dentro dos critérios de portabilidade definidos pelo Ministério da Saúde”, pontuou a assessoria de Comunicação do órgão.

“Mesmo com as cidades de Governador Valadares e Colatina voltando a captar a água no rio Doce, desde novembro, o prefeito Pietro Chaves (PDT) exigiu uma ampla reforma na ETA, aquisição de novos equipamentos e exames feitos pelo município para liberar a captação”, continuou a PMBO.

A coordenadora estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens disse que a mobilização ocorreu em outras cidades do país nessa terça-feira. As principais pautas dos atingidos, segundo argumentou, além do acesso à água, defendem a participação nas negociações e a reparação integral de todos os danos.
 

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Para a Vale, manifesto não tem ligação com o transporte de passageiros na EFVM

O protesto no distrito de Perpétuo Socorro (Cachoeira Escura), Belo Oriente, começou horas antes da passagem do trem de passageiros. Procurada pelo DIÁRIO DO AÇO, a Assessoria de Imprensa da Vale ressaltou, em nota, que as reivindicações dos manifestantes não tinham relação com a operação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

Devido à obstrução da linha férrea, e para garantir a viagem das pessoas que embarcaram nos trens da EFVM nesta terça-feira (8/3), a Vale informou que faria a transferência dos passageiros entre os dois trens em ônibus de viagem alugados pela empresa. Assim, o transporte rodoviário ocorreria entre as cidades de Governador Valadares e Ipatinga.

A partir desses locais, os passageiros retomariam a viagem nos trens da Vale em ambos os sentidos até os seus respectivos destinos. A Vale afirmou “que repudia quaisquer manifestações violentas que coloquem em risco seus passageiros, seus empregados e suas operações e que firam o Estado Democrático de Direito”. A assessoria da empresa disse ainda que obstruir a ferrovia é crime passível de multa.

Samarco
A Samarco, por sua vez, manifestou, em nota, que são conduzidas reuniões com as comunidades e com diversos órgãos para discutir as ações a serem realizadas pela empresa.

“Em Belo Oriente, a Samarco implementou diversas melhorias em relação à distribuição de água, desde a substituição das bombas de captação por um sistema mais robusto, melhorias na infraestrutura de operação das estações de tratamento de água e estruturação de padrões de controle mais rigorosos no processos de tratamento de água. Todas essas benfeitorias, aliadas à aplicação do Tanfloc (floculante), asseguram uma água tratada dentro dos parâmetros de qualidade, de acordo com a Portaria 2914/11 do Ministério da Saúde”.
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