19 de fevereiro, de 2016 | 18:00
Presidente da Usiminas descarta demissão em massa em Ipatinga
Medidas adotadas na usina de Cubatão não devem ser implementadas no Vale do Aço, confirma Rômel Erwin
IPATINGA O presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, descartou adotar, em Ipatinga, as mesmas medidas implementadas recentemente na usina de Cubatão (SP) como a paralisação das áreas primárias de produção para adequar o tamanho da empresa como um todo ao mercado, com o consequente ajuste no quadro de pessoal. Segundo o executivo, isso não faz sentido”. O que fizemos em Cubatão foi adequar a produção para não termos a pressão de exportar aço sem margem financeira positiva. Não prevemos nenhum ajuste dessa natureza em Ipatinga”, reiterou.
A declaração do presidente foi dada na quinta-feira, após a divulgação dos resultados do 4º trimestre de 2015, em que foi confirmado um prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão. Sobre a apresentação dos resultados, Rômel destacou que foi feita de forma a tornar os dados mais claros. Queremos mostrar a seriedade e a transparência com a qual tratamos as questões e os problemas por nós enfrentados. Espero que esse nosso esforço tenha ficado claro”, pontuou.
O vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Usiminas, Ronald Seckelmann, por sua vez, adiantou que o Conselho de Administração deve trazer novos esclarecimentos adicionais a respeito das alternativas de aporte de caixa na companhia. As informações podem ser dadas durante reunião prevista para a primeira quinzena de março.
Além da preocupação com o aumento de capital, ele explicou que existem outras áreas de atuação da companhia, como as vendas de ativos, que também podem ser uma alternativa, mesmo que resultem em liquidez um pouco menor. Além disso, estamos envolvidos em conversas constantes com nossos credores, com os quais temos um longo e bom relacionamento. Com relação ao capital, temos mantido diálogo constante com o Conselho de Administração e com nossos acionistas controladores”, assegurou Ronald Seckelmann. O vice-presidente acrescenta que existe um consenso no Conselho sobre a necessidade de aportar recursos no caixa da companhia.
O que foi solicitado na reunião do Conselho, que não aprovou, mas também não rejeitou a proposta de aumento de capital, diz respeito a alguns esclarecimentos adicionais que devem ser trazidos num prazo extremamente curto. Esses esclarecimentos adicionais dizem respeito às alternativas de injeção de caixa na companhia, que podem ser por meio de aumento de capital ou empréstimo dos controladores, por exemplo. Foi solicitado à diretoria que trouxesse a melhor combinação possível dessas alternativas”, adiantou.
Mercado
Em relação ao mercado brasileiro de aços planos, o vice-presidente Comercial da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, reiterou que o cenário político e econômico é de muita dificuldade. Ele relatou dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para 2016, que preveem uma queda no Produto Interno Bruto brasileiro da ordem de 4%. A situação impacta diretamente a indústria e o mercado brasileiro de aços planos.
Com relação à demanda prevista para 2016, o Instituto Aço Brasil estima, a princípio, a queda de 5% na demanda, mas adverte que esse baque pode ser ainda maior. O cenário de negócios, de mercado e de demanda, é preocupante para o Brasil, aponta. As primeiras estatísticas dos setores consumidores de aço começam a aparecer. Vimos, há alguns dias, a Fenabrave divulgar uma queda de 32% em relação a dezembro e de 39% em relação a janeiro do ano passado na venda de veículos. São números significativos, expressivos e preocupantes. Esse é o cenário de demanda”, pontuou Sérgio Leite.
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