13 de fevereiro, de 2016 | 10:13
"O Rio Doce não Morreu"
Mobilização social prevê investimentos na recuperação de rio destruído por lama da Samarco/Vale/BHP
DA REDAÇÃO - Três meses após o rompimento da barragem da Samarco/Vale/BHP Bilitton, os Comitês da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH-Doce) estão empenhados na recuperação do rio. Seus representantes têm participado de diversas atividades como forma de definir as diretrizes a serem tomadas para que a situação do rio seja revertida.
Neste fim de semana, o CBH-Doce lançou a campanha de mobilização social O Doce Não Morreu”. Realizada com a doação feita pelo América Futebol Clube aos comitês, a campanha distribuirá cerca de 25 mil boletins informativos, 3 mil cartilhas educativas ilustradas, spots de rádio, cartazes, adesivos e bonés. Está em produção, também, um documentário sobre a tragédia da mineradora Samarco/Vale/BHP, em Mariana.
A campanha tem como objetivo promover ações que reflitam na melhoria da qualidade e quantidade de água na bacia do rio Doce, além da conscientização da população ribeirinha quanto a seu papel neste processo. Nos próximos cinco anos, aproximadamente R$ 174 milhões serão investidos para a recuperação da bacia, priorizando programas ligados à revitalização de nascentes e projetos de saneamento.
A Bacia do Doce já era uma das mais degradadas do Brasil e só por isso sua revitalização já era um desafio”, pontua Leonardo Deptulski, presidente do CBH-Doce e prefeito de Colatina. O comitê pretende liderar o processo de revitalização do manancial e deve atuar em duas frentes.
A calha do rio Doce precisa de reparações à montante dos locais em que a lama passou. E, por outro lado, é necessário promover a revitalização da bacia. Precisamos aumentar o volume de água limpa para o Doce e, para isso, devemos cuidar dos afluentes e de suas nascentes”, avalia.
Recuperação
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce vai investir cerca de R$ 175 milhões na recuperação da bacia, priorizando a recuperação de nascentes e projetos voltados para o saneamento. O valor será aplicado ao longo dos próximos cinco anos.
O recurso virá da chamada cobrança pelo uso da água, garantida pela Lei 9.433/97 e que deu origem à Política Nacional de Recursos Hídricos. Na prática, trata-se de uma taxa paga, sobretudo, por grandes empresas pelo uso do recurso hídrico.
O rio Doce foi o principal curso d'água atingido pelos rejeitos de minério de ferro que vazaram da Barragem do Fundão, de propriedade da Samarco/Vale/BHP Bilitton, em 5 de novembro de 2015, em Mariana. Vazaram 32,5 milhões de metros cúbicos. Mais de 100 nascentes no entorno da cidade colonial foram soterradas no maior desastre socioambiental do Brasil.
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