20 de janeiro, de 2016 | 20:00

Técnicos da Usiminas aprovam acordo coletivo

Assembleia foi realizada na noite de terça-feira (19)


IPATINGA – Os técnicos que trabalham na Usiminas de Ipatinga aprovaram na terça-feira (19), a proposta da empresa para o Acordo Coletivo 2015/2016. A assembleia, convocada pelo Sindicato dos Técnicos Industriais de Minas Gerais (Sintec-MG), contou com a participação de 1.237 trabalhadores. Na semana passada, os engenheiros aprovaram a mesma proposta. Esta semana votaram pela aprovação 807 empregados; 410 rejeitaram proposta. Foram registrados 19 votos em brancos e um nulo.

As duas categorias da empresa receberão um abono de R$ 4 mil (R$ 2,5 mil cinco dias após a assinatura do acordo e R$ 1,5 mil em maio); além da garantia de emprego ou salário para 98,4% dos empregados conforme apuração mensal de efetivo até a vigência do acordo; manutenção do pagamento de 20 dias extras de salário a título de retorno de férias; mantidas todas as cláusulas sociais vigentes no acordo anterior. Os engenheiros assinaram acordo e recebem o valor até sexta-feira (22). Já os técnicos devem receber até a quarta-feira (27).

No caso dos metalúrgicos, após seis reuniões de negociação, o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa) não apresentou a proposta da empresa para a apreciação dos trabalhadores. Todas as quatro propostas foram recusadas na mesa de negociação. Uma nova reunião está agendada para o dia 26 de janeiro e a data-base da categoria foi estendida até o dia 29 deste mês.
Uma reunião entre representantes da Usiminas e do Sindipa está marcada para sexta-feira (22) no Ministério Público do Trabalho, em Coronel Fabriciano. A informação é da assessoria de Comunicação do sindicato. A entidade esclarece que o MPT acatou seu pedido de mediação e agendou o encontro, após negociação salarial dos talhadores da Usiminas não avançar.

Prejuízo
“A Usiminas, que acumulou prejuízo líquido de R$ 2 bilhões apenas nos nove primeiros meses de 2015, espera que as negociações prossigam com bom senso diante do agravamento das condições do mercado de aço e da falta de perspectivas de melhoria do ambiente econômico em 2016”, destacou a assessoria de Comunicação da empresa.

Números do setor indicam que a siderurgia passa pela pior crise de sua história. O Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA) divulgou ontem que as vendas de aços planos na rede de distribuição registrou em 2015 os piores patamares desde 2006 e que, para 2016, e espera uma queda de 5%. Já o Instituto Aço Brasil (IABr), que congrega as principais usinas produtoras, contabilizou uma queda de 16,7% no consumo de aço em 2015 em relação a 2014 que, por sua vez, já havia sido de 6,8% menor do que em 2013.

A usina de Ipatinga, devido a este desaquecimento do mercado, tem operado com níveis mínimos de produção, revela a assessoria da empresa, reiterando que um dos três altos-fornos teve, inclusive, que ser temporariamente desativado em junho, sem previsão para retorno.
Como medida para enfrentar o cenário de retração no consumo do aço, a Usiminas paralisou as áreas primárias de sua usina em Cubatão, São Paulo e já iniciou a demissão de 1.800 empregados. 

Sindicato
Na avaliação do represente do Sintec, Gláucio Ervilha, “o remédio para enfrentar a crise é a negociação e manter a estabilidade dos funcionários”. Para o presidente do Sintec em Minas Gerais, Nilson Rocha, a reunião dos funcionários da Usiminas transcorreu dentro de um clima de tranquilidade. Ele não quis polemizar as iniciativas de outros sindicatos por questões éticas, e afirmou que a aprovação da proposta aquecerá a economia do município, já que a garantia do emprego fomentará setores como o comércio.
 


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