12 de dezembro, de 2015 | 11:00

Geração de emprego e renda a partir da fibra da bananeira

O projeto EJA no Campo concorre à medalha Paulo Freire, do Ministério da Educação


IPATINGA – A fibra de bananeira se tornou matéria-prima para peças de artesanato produzidas por estudantes do bairro Pedra Branca, na zona rural de Ipatinga. Na localidade, onde é tradicional a produção de banana, o material se tornou um potencial gerador de renda às famílias de produtores rurais. Com o tronco da bananeira descartado na lavoura, os estudantes confeccionaram bolsas, vasos, luminárias, almofadas, jogos americanos e outros adornos.

Os alunos integram a modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Hermes de Oliveira Barbosa. O trabalho deles foi exposto nesta semana, na mostra de economia solidária “Saberes e Sabores da EJA”, realizada no Parque Ipanema. Outros diversos trabalhos e de outras escolas foram demonstrados à comunidade, com a predominância do artesanato.

O pseudocaule (termo botânico que refere a falsos caules) da bananeira fornece quatro tipos de fibras: a seda, o filé, a renda e a capa. Normalmente, eles são deixados no solo, mas cada item pode ser reaproveitado e transformado com técnicas de tecelagem, cestaria e trançados. Com as fibras é possível confeccionar uma infinidade de outras peças como tapetes, esteiras, cestos, bandejas, acessórios femininos, sandálias, revestimentos e objetos diversos de decoração – com alto valor agregado no mercado e baixo custo de produção. 
Divulgação


alunos eja


É o que explica a diretora da escola Hermes de Oliveira, Lucimery Lage Amorim. A educadora cita que o aprendizado ocorreu por meio de um intercâmbio realizado na comunidade do Fundão, no distrito de Tabajara, município de Inhapim (MG). As técnicas de tecelagem, além disso, foram absorvidas em curso feito no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Tudo foi possível por meio da Secretaria de Educação de Ipatinga em parceria com a Secretaria de Agricultura de Inhapim, cita Lucimery Amorim.

Os dez alunos participantes da iniciativa cursam as séries finais do Ensino Fundamental. As peças expostas não foram vendidas à comunidade, mas sorteadas entres eles, que as produziram. “Agora vamos partir para aperfeiçoar as técnicas e assim comercializar, posteriormente. Nosso objetivo é inovar com os recursos que temos. No ano que vem, projetamos a criação de uma associação para que os alunos intensifiquem e se dediquem à produção, como forma de os moradores aprimorarem as técnicas e gerarem renda às famílias”, projeta. 

As ações do projeto EJA no Campo, em Ipatinga, afirma Lucimery, estão entre as melhores iniciativas do Estado de Minas Gerais. Conforme a diretora, trabalhos realizados por estudantes do Pedra Branca e Ipaneminha concorrem à medalha Paulo Freire, uma premiação do Ministério da Educação que tem por objetivo identificar, reconhecer e estimular experiências educacionais relevantes para a alfabetização e educação de jovens e adultos no país.

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