04 de setembro, de 2015 | 20:00

Alerta para a crise na região

Lideranças debatem demandas regionais e saídas para estagnação agravada pelo cenário nacional


IPATINGA – O vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e vice-presidente da Força Sindical em Minas, Luiz Carlos Miranda, falou ao DIÁRIO DO AÇO sobre a necessidade de união de forças para que o Vale do Aço deixe a crise econômica enfrentada atualmente. O sindicalista se reuniu na manhã dessa sexta-feira (4) com lideranças da região para discutir e entregar uma pauta de demandas e possíveis caminhos.

Luiz Carlos explica que o momento preocupa toda a região e não somente a cidade de Ipatinga. Ele relata que, retornando de Belo Horizonte, constatou que as obras de duplicação estão praticamente 100% paralisadas. “A sociedade precisa se manifestar, os políticos precisam se manifestar. Imagina quantos bilhões foram investidos nessa obra, a tão falada Rodovia da Morte?”, questionou. 

Para ele, a situação é preocupante não somente pelo aspecto de segurança, mas principalmente pelo desenvolvimento e economia. “Porque as obras estão paradas e, daqui a 30 dias, 40 dias, começa o período de chuva. Começando a chover, se tiver chuva em abundância, todo o dinheiro que foi investido no início da duplicação será perdido. Isso é dinheiro do povo, que poderia investir e acabar com essa imagem negativa e trazer desenvolvimento para a região”, pontua.

O sindicalista acrescenta que a situação impede o desenvolvimento e a geração de emprego e renda na região. Para ele, a população e os políticos têm que sair da comodidade e começar a gritar, fazer caravanas de lideranças, grupos, maçons, Lyons, Rotary, Apae, OAB, etc. “É preciso movimentar. Não se pode cruzar os braços. Quero chamar a atenção de todos do leste de Minas. Não podemos aceitar passivamente a paralisação dessas obras nesse momento, depois de tanto gasto, de tanto dinheiro injetado. Vivemos uma violência em nossa região, porque não há o que fazer, não há emprego. Só na Usiminas e na (Usiminas) Mecânica, além de terceirizadas nos últimos dois anos, são mais de 10 mil demissões e nenhum emprego se gerou e ninguém se movimenta”, alerta.

Usiminas
Luiz Carlos aponta a necessidade de procurar a direção da siderúrgica e discutir a questão da Usiminas Mecânica. Ele classifica a situação como preocupante pelo fato de a empresa estar praticamente fechada. Anteriormente, havia mais de 25 mil empregos em todo o Brasil, 8 mil deles em Ipatinga, mas ninguém se movimenta.

É preciso procurar a Petrobras, exemplifica, que está com obras paradas, uma vez que as empresas que trabalhavam para ela com montagem e fornecimento de equipamentos estão envolvidas no “Petrolão” e “Mensalão”. “Porque nossas lideranças não buscam a Petrobras e o governo federal, e apresentam a Usiminas Mecânica, para que possa substituí-las e, com isso, o setor metalomecânico do Vale do Aço, junto com Usiminas Mecânica, possa gerar emprego e renda?”, indaga.

Solução
Como forma de sair dessa situação, Luiz Carlos relata que irá, por meio da CNTM e a Força Sindical, procurar alguns órgãos do governo, no sentido de indicar a Usiminas Mecânica para que ela trabalhe as obras que estão paralisadas no Brasil. A Usiminas Mecânica é, conforme o sindicalista, uma empresa limpa, como a Usiminas, e que poderá substituir essas empresas na fabricação e montagem, em parceria com o setor metalomecânico do Vale do Aço.

Para Luiz Carlos, esse é o momento de a sociedade se unir e movimentar. Para ele existem maneiras de gerar emprego. “Estamos apresentando alternativa, vamos pressionar a direção da Usiminas, os japoneses e os governos estadual e federal”, adianta.

Dessa forma, aponta, será possível despertar novamente o desenvolvimento e o crescimento da região e reduzir o índice de criminalidade no Vale do Aço, fazendo com que as pessoas criem autoestima. “Porque o Vale do Aço não pode, depois de 30 anos, 40 anos de crescimento, caminhar no sentido contrário. É preciso esquecer as picuinhas políticas para dar dignidade ao nosso povo. É péssimo não ter como buscar o sustento dos filhos, e não queremos isso ocorrendo aqui”, disse.

Sobre a situação da jornada de trabalho dos empregados da Usiminas, que ainda não foi colocada em votação, Luiz Carlos frisa que não é contra a redução de jornada de trabalho, mas sim contra a redução de salário. Entretanto, quem deve decidir isso é o trabalhador. “Cada um tem sua análise. Tem trabalhador que prefere perder um dia, mas manter o plano de saúde e outros que não se importam. Por isso, quem tem que avaliar são eles, em assembleia. O que vem ocorrendo é um erro. Direção democrática ouve o trabalhador”, concluiu.
 
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