Atualizada às 14h, 06/08.
IPATINGA – Foram divulgadas, nessa quarta-feira, 5, as notas por escola da edição do ano passado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2014). O Vale do Aço novamente se destacou nos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), uma vez que uma instituição privada de Ipatinga continua a integrar o ranking das maiores médias obtidas no exame em todo o país.
Mas, há outra realidade nos dados locais: a disparidade entre as escolas particulares e públicas nos resultados do exame. Somente uma instituição pública da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) - um centro federal de ensino - obteve maior resultado e à frente de instituições privadas, figurando a segunda maior média nas provas objetivas do exame no âmbito local.
Fora isso, a média mais alta obtida por um colégio estadual da RMVA nas provas objetivas do Enem 2014 foi 564,54 pontos. Na prova de redação, a maior média conquistada nessa rede foi 604,55. A pontuação máxima, em ambos os casos, é de 1.000 pontos.
Já no âmbito das instituições privadas da RMVA, a maior média conquistada nas provas objetivas foi 719,81; na redação, 809,57. O resultado da prova objetiva de uma instituição paga local, inclusive, figura a 8ª colocação no ranking nacional.
A instituição pública estadual melhor classificada na RMVA no ranking nacional ocupa a posição 2.832. Fatores de peso no quociente das notas médias das escolas são as médias aritméticas das provas objetivas. No geral, as notas de matemática ilustram o abismo entre colocações do ensino público e privado.
Ao observar os dados, o mestre em Educação, Rodrigo Vieira Ribeiro, é categórico: o Enem é um forte elemento de avaliação, mas não pode ser critério único para definir a qualidade de uma escola. O especialista, que reside em Ipatinga, sinaliza, por exemplo, o impacto do nível socioeconômico dos alunos na nota das instituições no exame.
Os dados do Inmet informam que as instituições melhor classificadas apresentam indicador de nível socioeconômico muito alto, alto, médio alto e médio. “Questões socioeconômicas impactam diretamente no processo, embora toda regra tenha exceções”, resume. Vieira comenta que, no caso do ensino público, por exemplo, o êxito de instituições vai muito além da qualidade do ensino.
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Foco
Na avaliação do educador, o melhor posicionamento de instituições particulares se deve, por exemplo, ao treinamento específico de estudantes focado no exame. Mas a atual metodologia de ensino da educação brasileira e mundial, como um todo, é criticada pelo mestre. “O conteúdo não é mais importante quanto à forma de se trabalhar esse conteúdo”, diz. Ele argumenta pela ausência de fomento à criatividade – dado o desafio de estudantes em se destacar nas redações – e formação cidadã, além do ensino “mecanizado” e de “treinamento”.
Rodrigo Vieira defende os avanços da educação, em especial a pública, nos últimos 12 anos no país e elenca o recente acordo com o governo mineiro assegurando o pagamento do piso salarial aos professores. Mas, “falta tudo”, diz, atentando à infraestrutura dos colégios, humanização do ensino e valorização de educadores. No que tange às escolas públicas, ele salienta um problema grave das instituições: por vezes a verba não é repassada porque gestores ora não sabem elaborar projetos, ora estão despreparados para prestar contas ao governo.