27 de junho, de 2015 | 10:06

Diocese institui o diaconato permanente

O diácono, segundo a tradição da Igreja Católica, é “aquele que se põe a serviço”


DA REDAÇÃO - Eles são homens casados, têm família, são profissionais, atuam na sociedade e participam da vida da igreja. A presença deles na igreja seria idêntica à dos demais leigos, não fosse por um detalhe: o destaque no dia a dia da Igreja Católica os levou à preparação para candidatarem-se à função de Diácono Permanente. Trata-se de uma novidade na vida da diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, que instituiu no dia 20 de junho, o Ministério do Leitor, a primeira etapa para o Diaconato Permanente. As duas etapas seguintes são o Ministério do Acolitato e a Ordenação Diaconal.

O diácono, segundo a tradição da Igreja Católica, é “aquele que se põe a serviço”, portanto são homens que a partir do recebimento da ordem se colocam a serviço em suas comunidades, suas paróquias, ajudando o padre nas suas funções, porém sem o poder de substitui-lo. Há funções que são específicas do padre, tais como celebrar a Santa Eucaristia, ouvir confissões e perdoar os pecados, em nome de Deus, além de ministrar o sacramento da Unção dos enfermos.
Ao diácono permanente são oferecidas outras atribuições como o de celebrar em nome da Igreja os sacramentos do Matrimônio e do Batismo. “Mas a primeira função é a do serviço, ajudar o padre ou até atuar no lugar dele, quando a presença dele for impossibilitada, mantendo viva a presença da Igreja de Deus no meio do povo de Deus” informa o bispo emérito Dom Odilon Guimarães Moreira.

Na Bíblia, podemos verificar no Livro dos Atos dos Apóstolos (6,3) a primeira referência ao diaconato, quando os doze apóstolos reuniram a multidão e ordenou-lhes que escolhessem entre eles sete homens de respeito, repletos do Espírito e sabedoria, para cuidar das viúvas e dos órfãos excluídos do atendimento diário.

Outra referência pode ser observada em I Timóteo 3,8: “os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos”. Dessa forma, percebe-se que a conduta e a prática dos valores do evangelho dentro e fora da Igreja é a primeira condição para se tornar um Diácono Permanente. Uma vez indicado pelo padre e aceito pela Comissão de Coordenação da Escola Diaconal serão mais 5 anos de formação em temas como Filosofia; Teologia Bíblica, Moral e Pastoral; Direito Canônico; História da Igreja, Cristologia, Sacramentologia, Liturgia, entre outros aprofundamentos num total de aproximadamente mil horas de formação.

Tanto tempo de preparação e formação dessa primeira turma leva à conclusão que a ideia não é nova em nossa Província Eclesiástica. Diáconos Permanentes já existem atuando na diocese vizinha de Governador Valadares e Mariana, por exemplo. Aqui a ideia nasceu em meados de 2008 com a inspiração do então bispo diocesano dom Odilon Guimarães no comando da diocese. “Percebi na época a necessidade de levar mais representantes da Igreja para junto do povo, que não podia contar com tantos padres. A ideia demorou a amadurecer, mas com muita oração, perseverança e o apoio do atual bispo diocesano dom Marco Aurélio Gubiotti conseguimos chegar até aqui com o envio desses vocacionados”, afirma.

Vocação
São 16 vocacionados nessa primeira turma, sendo que destes 11 são na região do Vale do Aço. Um deles é o Elias Pereira da Silva, 36 anos, casado há 15 anos com Luciene Maria de Jesus, pai de dois filhos, Samuel com 7 anos e Thaís com 3 anos de idade. Ele é engenheiro na Usiminas, professor universitário e Ministro da Palavra na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Iguaçu em Ipatinga.

Ele e seus colegas futuros Diáconos Permanentes chegam à nossa diocese num momento em que a Igreja, através do Papa Francisco, se abre à discussão sobre a misericórdia que cada um de nós deve ter com o próximo, sobretudo com aqueles que algumas vezes se sentem excluídos como os casais em segunda união, divorciados, homo afetivos e outros tabus para a própria Igreja. Chegam para “ousar”, “sair em busca do irmão” como tem repetido sempre o Papa Francisco. Que sejam ousados! “Que sejam perfeitos, como o Pai é perfeito!” (Mt 5,48)
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