02 de abril, de 2015 | 20:00
Diagnóstico de autismo deve ser feito até os 3 anos
Profissionais e organizações lembram da importância de diagnosticar os sintomas o quanto antes
IPATINGA Lembrado no dia 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo pede atenção ao transtorno. Profissionais e organizações lembram da importância de diagnosticar os sintomas o quanto antes, para alcançar melhores condições de vida para as crianças, como explica o neurologista infantil e neuropediatra Marcone Oliveira.
O médico ressalta a importância da data por três razões: diminuir o preconceito em relação às crianças com autismo; aprender com as crianças; e que é preciso fazer o diagnóstico o quanto antes para que elas tenham resultados na vida adulta. Outra coisa que temos de lembrar é a questão da incidência e do número de crianças com esse transtorno e que tem aumentado progressivamente nos últimos anos. Estudos apontam que, no Brasil, a cada 100 crianças uma tem o transtorno do espectro autista. Nos Estados Unidos, a cada 88 crianças neurotípicas, uma é autista e esse é o grande foco, fazer o diagnóstico mais cedo”, reitera.
O transtorno do espectro autista pode ser visto em crianças que têm dificuldade em duas áreas. É uma doença neurobiológica, ou seja, tem uma alteração cerebral que pode ser de neurônios e não é possível identificar o problema, e que tem dois aspectos comportamentais. Uma é a dificuldade na comunicação e a outra é a questão dos movimentos repetitivos e dos interesses restritos”, aponta Marcone Oliveira.
Conforme o neuropediatra, no dicionário de doenças mentais norte-americanas, lançado em 2013, essas crianças são colocadas em duas áreas e há a definição da doença como transtorno do espectro. Sempre que falo em espectro, lembro de sombra. Tenho uma criança que pode ter grau leve, moderado e grave. Em relação ao tratamento, pretendemos pegar o grau grave e transformar em moderado, do moderado transformar em leve e o leve tentamos tirar o espectro autista, colocando essa criança como neurotípica”, explica.
O neurologista infantil observa que os profissionais que trabalham com a criança autista são neuropediatra, fonoaudiólogo, neuropsicólogo, psicólogo comportamental, terapeuta ocupacional e o psicopedagogo. Outra pessoa muito importante para essa criança é o professor, que consegue captar o que ela tem e trabalhar. O professor passa um tempo maior com essa criança em sala de aula, e tem que estar atento para identificar possíveis sinais”, sintetiza.
Os primeiros sintomas de autismo podem ser observados na criança com 9 meses de idade. O diagnóstico deve ser feito no máximo até os 3 anos. Aos 12 meses, a criança ainda não balbucia nenhuma palavra; não olha os objetos e no rosto; brinca inadequadamente com os brinquedos; tem sensibilidade aumentada ou diminuída; tem dificuldade com sons e, com dois anos, ainda não falam e não conseguem emitir duas palavras. É preciso ficar atento a esses sinais para conseguir fazer o diagnóstico mais cedo”, alerta.
Tratamento
Marcone Oliveira pontua que as famílias se sentem inseguranças quando precisam do sistema público, que não está preparado para receber as crianças com autismo. No ano passado, o governo federal lançou um protocolo de atendimento para essas crianças. Está escrito como fazer; sabemos como fazer, mas não temos profissionais para isso. Temos dificuldade em ter acesso a esses profissionais no sistema público”, lamenta.
Em Ipatinga, existe a Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Vale do Aço - Centro de Integração Azul (CIA), organização sem fins lucrativos, que visa o esclarecimento aos pais de crianças com autismo. Essas organizações tomam força e conseguem, junto ao sistema público de saúde, que se produzam leis para que essas crianças apresentem condições de serem tratadas. No Brasil, fala-se em cerca de dois milhões de crianças com autismo”, conclui.
Oficina de artes lembra data
A Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Vale do Aço, Centro de Integração Azul (CIA), promoveu, na tarde dessa quinta-feira (2), uma oficina de artes com crianças com transtorno do espectro autista e neurotípicas. As atividades ocorreram no Shopping do Vale do Aço, sob a orientação de profissionais especializados.
Presente ao evento, Maria José Bento foi acompanhada do filho Pedro Bento Oliveira. O rapaz, de 26 anos, diagnosticado com autismo, passou por diversos tratamentos fora de Ipatinga, como relata Maria José. Antes não existia as possibilidades que temos hoje. Meu filho é o mais velho do grupo e, quando era criança, não existia esse suporte de profissionais e até mesmo de informação”, relata.
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