05 de agosto, de 2014 | 00:00

Uso inadequado do cartão de crédito

Parcelas da fatura representam 36% dos gastos da população de baixa renda


IPATINGA - A maioria dos brasileiros ainda comete erros no uso do cartão de crédito. A informação foi constatada pela pesquisa do Guia Bolso - site de finanças pessoais. As parcelas da fatura representam 36% dos gastos no cartão na população de baixa renda, percentual considerado alto por especialistas. O economista Amaury Gonçalves avalia que o recomendável seria um percentual entre 10% e 20% da renda, para evitar um endividamento crescente.

“Manter esse percentual entre 10% e 20% é o recomendável, isso porque se espera que, na renda da família, se tenha despesas com a saúde, lazer, aluguel, água, luz e telefone, que são despesas que irão ocorrer todo mês”, explica Amaury Gonçalves. O que sobra pode ser destinado a gastos eventuais no cartão, alguma aquisição de um bem durável, como uma geladeira, fogão, televisor, em prestações mais longas.

O cartão de crédito é considerado como um dos instrumentos de crédito mais caros. No mês de junho, a taxa média cobrada no cartão era de 10,70% ao mês, o que equivale a 238,67% ao ano, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Para o economista, o brasileiro utiliza o cartão de crédito de forma indevida, porque não é uma boa opção de financiamento. Nesse caso, o melhor seria o crédito direto ao consumidor, ou empréstimo consignado. Amaury pondera que o cartão de crédito, assim como o cheque especial, é um crédito muito fácil que os bancos disponibilizam, mas que tem um enorme inconveniente, a taxa de juros muito alta.

Como o valor normalmente está disponível acima das possibilidades do consumidor, a compra no cartão ocorre sem maior avaliação, porque não vê o dinheiro “saindo” do bolso. Entretanto, quando chega a fatura, o consumidor comete o erro de pagar apenas o valor mínimo. “As financeiras e as operadoras de cartão de crédito vão aplicar uma taxa de juros muito elevada, de 12% a 14% ao mês. Se você pagar apenas o mínimo, essa dívida vai continuar aumentando. É um mau negócio, o cartão deve ser utilizado para pagamento total no vencimento da fatura”, aconselha.

A pesquisa do Guia Bolso aponta que 51% dos gastos parcelados correspondem a compras diversas, como roupas. E mesmo gastos correntes, como mercado e restaurantes, são parcelados por parte dos consumidores. No total, foram ouvidas 5.649 pessoas na pesquisa, sendo que o Sudeste é a região de maior concentração.

Dica
Amaury Gonçalves pontua que, em compras de valores pequenos, como no caso de produtos como ferro de passar roupas e liquidificador, não é recomendável utilizar o cartão em longas parcelas, pois pode comprometer a capacidade de pagamento dessa família. Caso surjam despesas mais importantes, em que o cartão de crédito seria uma “mão na roda”, o consumidor não teria mais disponibilidade financeira para essa aquisição.

As pequenas compras devem ser pagas à vista. Caso não tenha o recurso, a dica é que o consumidor espere três ou cinco meses, e compre no dinheiro. “Para prestações maiores, de um bem de maior valor, aí sim se pode utilizar. A dica sempre é planejar. Se penso em comprar uma geladeira no fim do ano, ou em julho do ano que vem, começo a guardar R$ 100 agora para que na época tenha condições de fazer um bom negócio comprando isso à vista”, concluiu o economista.
 

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