02 de março, de 2014 | 00:00

Suor excessivo tem solução

Calor aumenta desconforto de pessoas com hiperidrose, que atinge 10% da população


IPATINGA – Pés, mãos e axilas suados em demasia no frio ou no calor. Esses são os efeitos de hiperidrose, a doença é marcada pelo suor excessivo e é mais comum nessas três partes do corpo. No Brasil, a estimativa é que 10% da população tenham o problema, conforme aponta pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos. Deste total, 71% das pessoas não buscam o médico para tratar a doença. Muitos nem sabem que tal desconforto pode ser amenizado ou resolvido.

Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o dermatologista com mestrado em patologia médica, Ismael Alves Rodrigues Júnior, informa que a incidência de casos de hiperidrose em consultórios dermatológicos é frequente. “No consultório, a cada 100 pacientes por semana, de 1 a 5 vêm por esse motivo. Às vezes, alguns pacientes pesquisam na internet sobre a doença e buscam logo o cirurgião torácico, profissional além do dermatologista indicado para acompanhar esses casos”, pontua.

Mas até que ponto é possível saber se o suor está em excesso ou dentro da normalidade? Apesar de estarmos em uma região quente praticamente o ano todo, algumas reações do corpo devem ser observadas. O dermatologista explica que determinadas situações podem confirmar a doença. “A eliminação de suor é comum, mas se em locais como temperatura ambiente sem elevação o paciente continua suando exageradamente, isso já não é normal. Aquele suor que passa a incomodar atividades diárias, como molhar a roupa ou molhar os papéis na hora de escrever ou suor excessivo nos pés são características da doença”, declarou Ismael Alves Rodrigues.

O médico destaca que a doença tem pico de incidência, em média, na segunda e terceira décadas de vida. Para essas pessoas, o período de calor agrava o desconforto causado pelo suor que se torna ainda mais excessivo. Mas o dermatologista Ismael Alves ressalta que situações de estresse e ansiedade costumam tem ainda mais peso do que o próprio clima. “O calor intenso piora muito as manifestações dos pacientes. Mas talvez o estresse psicológico desencadeie mais essas crises do que o calor. Falar diante de outras pessoas, tomar decisões importantes e estudar para concurso são situações frequentemente relatadas por pacientes”, destacou o especialista.

Causas
Questionado sobre as causas da doença, Ismael Alves afirma que ainda não há uma conclusão sobre o que provoca a hiperidrose. Mas sabe-se que as glândulas sudoríparas dos pacientes são mais sensíveis ao estímulo do sistema nervoso ao secretar o suor. “Os pacientes com hiperidrose têm a mesma quantidade de glândulas que as demais pessoas. O sistema nervoso periférico faz uma inervação dessas glândulas sudoríparas. Parece que as glândulas desses pacientes são mais sensíveis ao estímulo e secretam mais intensamente”, observou o dermatologista.

A hiperidrose pode aparecer de forma generalizada ou localizada. “A localizada mais comum é nas axilas e, quase na mesma frequência, nas palmas das mãos. Um pouco menos comum é o suor excessivo exclusivamente nos pés. E não é raro que o paciente tenha uma combinação dessas regiões. A hiperidrose generalizada é mais rara”, detalhou Ismael Alves.

Tratamentos
Com acompanhamento profissional, o paciente fará o tratamento melhor recomendado para cada caso. Ismael Alves conta que, atualmente, há três tipos básicos de tratamento. Uso de cremes à base de sais de alumínio é o carro-chefe no combate à hiperidrose. “No Brasil, não temos formulações nas farmácias prontas para ser vendidas. O mais comum é manipular os medicamentos”, comentou.

Outra opção é o tratamento com aplicações de toxina butolínica, mais usada para axilas e palmas das mãos. “A grande desvantagem é o preço do tratamento que, após oito ou dez meses, tem que ser retomado. Temos também alguns medicamentos que foram formulados para outros problemas de saúde, como por exemplo, incontinência urinária, que têm uma eficiência muito boa e é indicado no caso de hiperidrose generalizada”, citou. Tratamento psicológico também é apontado pelo especializada como meio de ajudar os pacientes a lidar melhor com situações de estresse, que desencadeiam o suor excessivo.

Para palmas das mãos e axilas, quando esses tratamentos falham, a cirurgia é uma alternativa. “A maioria melhora, mas há também casos em que a pessoa passa a suar em outros lugares do corpo, o que chamamos de hiperidrose compensatória. Existem cirurgiões atualizados com técnicas mais modernas de abordagem que diminuem chance de compensação e aumentam a eficiência”, concluiu Ismael Alves Rodrigues Júnior.  

VEJA ILUSTRAÇÃO


gráfico hiperidrose


 

VEJA O VÍDEO
 

[[##384##]]
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário