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TIMÓTEO – A identidade dos proprietários e verdadeiros responsáveis pelo antigo Clube Choupana, no bairro Santa Cecília, está envolvida em mistério. Em Timóteo faltam informações sobre quem é a pessoa ou grupo que há alguns anos adquiriu a área, com a finalidade de construir um condomínio residencial no local.
Enquanto o empreendimento não decola, o antigo clube virou um transtorno para os moradores do bairro Santa Cecília. A publicação no sábado (21) sobre o abandono do clube, movimentou os debates nas redes sociais. Antigos e atuais moradores de Timóteo manifestaram tristeza e decepção pela situação do Choupana, palco de grandes eventos no passado.
O Clube Campestre Choupana foi fundado em 1968 pelo pioneiro Expedito Marcolino. Chegou a ter mais de mil sócios e cerca de 30 funcionários. O clube mantinha várias atividades sociais, práticas esportivas, área de lazer, bailes e reuniões importantes.
O advogado e ex-vereador Moacir de Castro conta que atuou como secretário do Conselho Deliberativo do clube e sempre participou das atividades do Choupana. Segundo ele, vários fatores levaram à falência do clube, entre elas, a privatização da antiga Companhia Acesita retirando o desconto em folha dos ex-sócios. “Nesta época, Timóteo já tinha ganhado outros espaços de lazer e com isso muitos sócios migraram para outros clubes do município”, explica.
Na tentativa de atrair novos sócios a diretoria do clube criou a chamada “Cota Remida” que dispensava ao sócio o pagamento da taxa mensal de manutenção. “Com isso a receita do clube caiu consideravelmente e sem recursos era difícil administrar tantas despesas”, relembra. Com os vários problemas financeiros e a queda no número de sócios, o antigo diretor e fundador do clube, Expedito Marcolino, entregou a direção do clube para uma comissão formada por sócios.
De acordo com Moacir de Castro, que também integrava essa comissão, o grupo não obteve sucesso devido à crise financeira já enfrentada pelo clube.
Uma segunda comissão foi formada na década de 90 sob a liderança de Maurício de Castro e neste período o clube já era alvo de uma execução do Instituto Nacional de Serviço Social (INSS) em cerca de R$ 600 mil. “Na época a justiça avaliou a propriedade em R$ 380 mil e nós montamos uma defesa para que o clube não fosse a leilão”, contou.
A defesa do advogado resultou em uma nova avaliação que reconsiderou o valor do imóvel em R$ 2,8 milhões. O clube chegou a ir à leilão, mas não houve comprador e a comissão devolveu a direção do clube ao antigo diretor Marcolino. O fim definitivo do clube teria chegado com a convocação de uma assembleia onde ficou definido o encerramento das atividades da agremiação.
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Dívidas
Uma consulta feita pela reportagem do DIÁRIO DO AÇO constatou que apenas no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) existem seis processos em tramitação, referente à execução fiscal em nome do Clube Choupana. O advogado Moacir de Castro relata que existem ainda outras dívidas referentes a processos trabalhistas, débitos com fornecedores, INSS e outros tributos que devem somar quase R$ 1 milhão. Até um lote dentro do clube estaria penhorado pela justiça trabalhista.
Solução
Devido ao montante em dívidas e a grande concorrência de áreas de lazer na região do Vale do Aço, Moacir de Castro acredita que seria muito difícil reerguer o clube. “Mesmo os clubes ainda ativos da região encontram sérias dificuldades para manter o funcionamento, com todas as despesas e encargos trabalhistas”, avalia.