14 de outubro, de 2011 | 00:00
Obra impõe 293 desapropriações
Comunidades esperam mais informações sobre ligação do Canaã ao Parque Ipanema
IPATINGA - A obra viária que está em andamento para interligar o bairro Canaã ao Parque Ipanema pode acarretar a remoção de 293 famílias residentes às margens do ribeirão Ipanema. A informação consta no Projeto Técnico de Trabalho Social (PTTS) realizado pela Prefeitura de Ipatinga. Encaminhado ao Ministério Público, o estudo visa fundamentar as políticas que terão de ser implementadas junto às comunidades envolvidas no processo.
Segundo o documento, o projeto de urbanização dos assentamentos ribeirinhos da Vila da Paz (Cidade Nobre), Vila da Ponte (situada entre os bairros Iguaçu e Cidade Nobre), e Vila Amazonita (bairro Iguaçu), está previsto para ser executado em 24 meses. O orçamento para viabilizar o projeto comunitário é de R$ 1,618 milhão.
Diante disso, a administração municipal elaborou um plano de ações com o intuito de garantir o acompanhamento da população que será atingida pelo andamento das obras. Essas medidas consistem basicamente em estimular a conscientização comunitária, promover a educação ambiental, oferecer capacitação profissional e monitorar o andamento dos trabalhos realizados. A contratação de uma equipe técnica especifica para atender o caso está determinada no projeto.
Desenvolver ações de apoio às obras com vistas a minimizar os impactos negativos advindos da intervenção e potencializar os impactos positivos”, registra o documento encaminhado pela prefeitura ao promotor do Meio Ambiente, Walter Freitas de Moraes Júnior. Procurada pela reportagem para saber sobre o início do projeto, a PMI não retornou com a informação.
O estudo aponta que a comunidade Vila da Paz será a mais atingida com a realização da obra viária. Na Vila Amazonita, o documento detalha a demanda por 16 remoções domiciliares. Já na Vila da Ponte, o local deverá contar com 13 desapropriações. O estudo inicial constatou ainda que a maioria da população envolvida tem formação escolar de nível fundamental e é formada por jovens. A média da renda salarial não ultrapassa um salário mínimo.
Desocupação
A reportagem do jornal DIÁRIO DO AÇO visitou na tarde de ontem (13) as três localidades definidas no PTTS. Em todos os locais o cenário às margens do ribeirão Ipanema era o mesmo. Sujeira, entulho e esgoto a céu aberto.
Na Vila da Paz, a dona de casa Lucilene Félix afirmou que há anos foi procurada pela administração municipal para tratar sobre a desocupação da sua casa. Há uns cinco anos vieram aqui e disseram que minha casa seria desapropriada. Passado esse tempo, tudo o que eu sei é baseado em boatos. Querer sair daqui eu quero muito, mas só se for para um lugar que será meu”, defende a moradora que vive de frente para o ribeirão e não possui calçada em frente de casa.
Atualmente as obras de ligação do Canaã ao Parque Ipanema estão concentradas entre o Iguaçu e o Cidade Nobre. Diante disso, moradores da Vila Amazonita chegaram a impor a paralisação dos serviços de desassoreamento com barricadas.
Sem avisar ninguém a prefeitura deslocou caminhões para vir aqui dar início às obras. Não tivemos outra saída se não fazer uma barricada e impedir os trabalhos. O povo precisa saber o que será feito no lugar e para onde serão deslocados”, declarou Ademar Martins, representante dos moradores que da Vila Amazonita. Outra preocupação da comunidade está relacionada ao perigo de alagamento no local. As providências precisam ser tomadas o mais rápido possível. Se chover forte todos serão muito prejudicados”, completou Ademar.
Para quem vive ao lado da ponte que liga o Iguaçu ao Cidade Nobre, a situação não é diferente. Nenhum dos entrevistados sabe ao certo o que irá acontecer com suas casas. Tem anos que a gente escuta falar de que irá passar uma avenida aqui. Mas de fato nada aconteceu ainda. Se tivermos que sair, nós sairemos. Mas não iremos aceitar morar de aluguel. Queremos outra casa”, concluiu Márcia dos Santos, moradora do local há seis anos.
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