07 de agosto, de 2011 | 00:00

Amamentar, um gesto de amor e saúde

Especialista dá dicas sobre a amamentação nos seis primeiros meses de vida

Wanderley Guimarães


FERNANDA E CLARA
IPATINGA - A Semana Mundial de Aleitamento Materno faz parte de uma história mundial focada na sobrevivência, proteção e desenvolvimento da criança. O tema deste ano é “Comunique-se! Amamentação: Uma Experiência em 3D”.
Neste domingo se encerra a semana de amamentação, mas os cuidados com a mãe e o bebê devem ser tomados por muito tempo. Para falar sobre a amamentação, os cuidados e benefícios, a enfermeira e especialista em Enfermagem Obstétrica e especialista em Saúde da Família, Fernanda Fontes, recebeu a reportagem do DIÁRIO DO AÇO.
De acordo com Fernanda Fontes, que é mãe de uma menina, Clara Fontes Silva, a amamentação possui importância nutricional, bioquímica, imunológica e benefícios psicológicos. Fernanda assinala que o leite humano supre todas as necessidades alimentares da criança nos seis primeiros meses de vida.
Os benefícios psicológicos são de tal importância que estabelece uma profunda relação entre o binômio mãe-filho, num processo de fortes estímulos sensoriais, auditivos, visuais, táteis e emocionais. Amamentar é importante para o bebê, para a mãe, para a família e para a sociedade.
Vantagens
A enfermeira destacou, também, as vantagens da amamentação para a mãe e para a criança. “O leite é o alimento mais completo para o bebê, não precisa de nenhum tipo de complemento durante os 6 primeiros meses de vida. É de fácil digestão. A criança em aleitamento materno tem menos diarreia, menos infecções respiratórias e de ouvido médio, possui menos probabilidade de desenvolver obesidade. Já há estudos que mostram que, a longo prazo, há menor risco de desenvolver diabetes”, explicou.
O benefício para as mães também é muito grande. Segundo Fernanda, além de aumentar o vínculo com o filho, ajuda a reduzir o sangramento após o parto, pois, estimula a musculatura do útero e auxilia a voltar mais rapidamente ao peso normal. Há ainda menor probabilidade de engravidar durante este período de lactação, menor incidência de câncer de mama em mulheres com maiores períodos de amamentação. “O leite materno está sempre pronto para ser dado à criança, não requer preparo, assim sendo é mais prático”, ressalta.
Como amamentar?
Fernanda também explanou sobre como as mães devem amamentar. “Há uma técnica que deve ser compreendida: a mãe deve estar numa posição confortável (pode ser deitada ou sentada). O que importa é que esteja bem encostada ou apoiada para evitar dor nas costas ou nos braços. Posicionar a barriga do bebê junto a sua barriga e colocar o mamilo (bico do seio) próximo à boca do bebê. É importante deixar que o bebê abra bem a boca, pois deve sugar a aréola (parte escura ao redor do mamilo) e não o mamilo. A mãe deve experimentar as posições para que possa optar pela que lhe ofereça maior conforto e praticabilidade. Durante a amamentação o queixo do bebê deve permanecer encostado na mama e seus lábios voltados para fora”, disse.
Cuidados
A enfermeira afirmou que não há necessidade de cuidados específicos para preparar as mamas ou mamilos. Na verdade, o importante é a vontade da mãe de amamentar e o apoio da família e amigos para fortalecê-la. Independentemente do tipo de mama ou mamilo, do tipo de pele, da história das amamentações anteriores na família, a amamentação poderá ter sucesso.
Há alguns cuidados básicos que devem ser lembrados: lavar as mãos antes das mamadas; não usar nenhum tipo de creme, sabonete ou pomadas nos mamilos. Isto pode alterar a textura da pele, deixando-a menos resistente ao atrito da amamentação e até mesmo alterar o sabor do leite; não é necessário higienizar as mamas (promover limpeza com água, sabão ou qualquer produto) antes da mamada.
Isto pode acarretar a retirada da flora natural da pele da mãe que protege o local contra possíveis infecções. E antes de colocar o bebê para mamar, verificar se a aréola está macia e flexível, fazendo um movimento leve de expressão para liberar um pouco do leite, caso não esteja. Isto facilitará a pega do bebê.
Rachaduras
Segundo a especialista, em caso de rachaduras no peito, a mãe não deve interromper a amamentação, nem usar bombas para sucção do leite. O que deve ser feito é observar a pega do bebê e corrigi-la. Provavelmente, o bebê está pegando apenas o mamilo (bico), ele deve então abocanhar mais, pegando toda a aréola. Não usar nenhum tipo de creme ou sabonete neste local. Após a mamada, não lavar o seio e sim, passar o próprio leite na rachadura e ficar, por curtos períodos, em exposição ao sol, diariamente (entre 8h e 10h da manhã).
“Empedrados”
Antes de iniciar a mamada, a mãe deve esvaziar manualmente a mama, para que o bebê consiga sugar mais confortavelmente. Deixar que ele sugue até largar o peito espontaneamente. Não fazer aplicação de calor, nem de gelo.
As mamas podem estar edemaciadas (inchadas) o que acarreta menor sensibilidade à temperatura na pele, podendo causar queimaduras. Não introduzir outros alimentos, pois o bebê poderá saciar e não sugar a quantidade ideal de leite materno, fazendo com que o leite produzido fique acumulado e “empedrado”. A mulher deve procurar um ambiente tranquilo para amamentar e ajuda profissional para auxiliá-la.
Escassez
De acordo com Fernanda, o leite é produzido na quantidade necessária para suprir a necessidade do bebê. Quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido. É preciso deixar o bebê amamentar sob livre demanda. Não se deve marcar tempo no relógio. O tempo é definido pelo bebê e não pelo nosso relógio.
O leite que sai nas primeiras sucções é composto por água, vitaminas e minerais para saciar a sede do bebê. Continuando a mamada no mesmo seio, o bebê receberá então o leite posterior, que fica no fim da mamada e é composto por gordura. É importante que receba a mamada completa. Assim o estímulo para a produção do leite será melhor e maior para a próxima mamada. Os hormônios produzidos pela mãe que amamenta farão com que a produção do leite seja adequada ao que está sendo consumido.
Doação
Para doar o leite materno, Fernanda destaca que é muito fácil e ajuda a muitos recém-nascidos que ficam geralmente internados em Unidades de Terapias Intensivas (UTI’s), ou sob acompanhamento médico.
“A mãe deverá amamentar exclusivamente seu filho ao peito. Feito isso, se ainda tiver leite, ou a mama ainda estiver cheia, ela poderá doar a um banco de leite credenciado para que seu leite seja processado e preparado para recém-nascidos necessitados. A mãe deve esterilizar um frasco de vidro e deixar secar. Deverá cobrir os cabelos, o nariz e a boca durante a extração do leite. Deverá lavar as mãos com muito cuidado antes do procedimento e lavar também as mamas com água apenas, secando-as com uma toalha limpa. Sentar-se num local limpo arejado e tranquilo para realizar a ordenha manual. O frasco com leite materno deve ser bem tampado e colocado imediatamente no congelador. Deve-se identificar o frasco com nome da doadora e dia da coleta. O leite poderá permanecer até 15 dias no congelador”, concluiu.

 
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