26 de março, de 2011 | 00:00

Patente para fabricar vitrocerâmica a partir de escória

Tecnologia desenvolvida pela Usiminas e UFSCar agrega valor e gera novas oportunidades

Divulgação


FABRICAÇÃO VITROCERÂMICA

IPATINGA - Coproduto resultante da fabricação do aço, a escória de aciaria tem sido, nos últimos anos, utilizada na pavimentação asfáltica, lastro ferroviário e agricultura - como corretivo de solo. A versatilidade do produto, no entanto, vai além. Uma pesquisa desenvolvida pela Usiminas, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mostra que a escória é também um excelente insumo para a produção de vitrocerâmica – material com propriedades superiores às cerâmicas convencionais, obtido a partir da cristalização controlada do vidro.
Apesar de concluída no final dos anos 90, apenas em outubro do ano passado o pedido de patente, requerido pela Companhia para a vitrocerâmica de escória, foi deferido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). O pesquisador Luís Augusto Marconi Scudeller (foto), que liderou a equipe da Usiminas na pesquisa, acredita no potencial do negócio.
Potencial de mercado
De acordo com Scudeller, as vitrocerâmicas produzidas a partir da escória de aciaria são ideais para revestimentos arquitetônicos considerados top de linha, tais como: grês-porcelanato, pastilhas e pisos autossustentáveis, pois possuem características mais atrativas que as cerâmicas convencionais, como maior resistência mecânica (não se quebram facilmente) e maior resistência à abrasão (suportam tráfego intenso de pessoas e de máquinas pesadas). “Na verdade, a vitrocerâmica competiria mais com o granito, devido ao seu patamar superior em relação às demais cerâmicas”, afirma o pesquisador.
Estudos preliminares mostram que as vitrocerâmicas têm preço de custo em torno de US$ 50 o metro quadrado. “O desafio será conseguir um custo ainda mais competitivo, já que as matérias-primas utilizadas (escória e areia) são baratas. O que encarece é a tecnologia empregada”, explica Scudeller. O potencial de consumo de pisos fabricados a partir da escória de aciaria é de 400 mil metros quadrados anuais, segundo o pesquisador Eduardo Bellini, que participou do estudo juntamente com Edgar Zanotto e Cátia Fredericci, todos da UFSCar.
“Esta estimativa leva em conta um mercado de 20 milhões de pessoas (Baixada Santista, Grande São Paulo e Vale do Aço, áreas de influência direta da Usiminas), o que geraria um faturamento de cerca de US$ 20 milhões anuais”, afirma Bellini. Cada tonelada de escória pode produzir de 1,5 a 2 toneladas de vitrocerâmica. Segundo Luís Scudeller, a patente gerada no desenvolvimento do projeto poderá ser negociada com empresas de cerâmicas interessadas em produzir o material.
A tecnologia desenvolvida agrega valor à escória e gera novas oportunidades de negócio para Empresa. “A reutilização e a comercialização de grande parte de coprodutos (óxido de ferro, lama de galvanização e sucatas metálicas, além da escória) estão alinhadas ao compromisso ambiental e social da Usiminas com as comunidades do seu entorno”, reforça Scudeller. Em 2010, a Companhia comercializou 973 mil toneladas de escória de aciaria, provenientes das usinas de Ipatinga (MG) e de Cubatão (SP).
 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário